Despensa. Sotão de armazenamento de víveres que necessitam arejamento seco
13
Area
Pátio
4,5
25
Areola
Pequeno pátio
20,21
Atrium
Átrio romano
4,5
15
Balineum
Balneário, Banhos
11,26
25,27
Baptisterium
Tanque de imersão
11
25
Bibliotheca
Biblioteca
8
Cavaedium
Pátio interior
5
Cella
Sala fechada
11
25,26
Cella frigidaria
Sala de banhos de água fria
11
25
Cenatio
Sala de jantar
10
21
Chianti
Sala de jantar (?)
12,15
Circus
Hipódromo
17
Cotidiana amicorumque cenatio
Sala de jantar informal dos hóspedes
21
Cryptoporticus
Galeria coberta com paredes. Porticum com paredes, que podem ter aberturas.
16,17,19,20
27,28,29,30,31
Cubiculum
Quarto
6,7,8,10,13,20, 21,22,23
21,22,23,24,28, 30,31,37,38,40
Cubiculum cum procoetone
Quarto com antecâmara
10
Cubiculum in hapsida curvatum
Quarto em abside
8
Cubiculum noctis et somni
Quarto de dormir
22
Diaeta
Salão de estar ou apartamento ou pavilhão
12,15,20,24
20,21,27,28,31
Dormitorium cubiculum
Quarto de dormir
21
Dormitorium membrum
Divisão de dormitório. Quarto de dormir
9
Fons
Fonte
25
23,37,40
Fonticulus
Pequena fonte
23,40
Gestatio
Campo de treino e exercícios físicos
13,14,15,18
17
Gymnasium
Ginásio coberto
7
Hapsida
Abside
8
Hibernaculum
Apartamentos de Inverno
7
Hippodromus
Hipódromo, ou jardim e passeios em forma de hipódromo
19,28,32,33,40
Horreum
Armazém
13
Hortus
Horta, Jardim
13,15,16,18,20, 22
Hypocauston
Hipocausto. Galeria técnica sob o pavimento ou entre as paredes, onde circula o calor e o fumo proveniente duma fornalha. Num balneário pode ser o espaço equivalente ao tepidarium.
11,23
25
Labrum
Bacia ou pia
20
Maceria
Muro
17
Membrum
Divisão de casa
9
15
Piscina
Piscina de natação
11
23,25
Porticus
Alpendre ou galeria suportada por colunas
4,5
15,16,19,20,21, 23, 31
Procoetone
Antecâmara
10,23
Propnigeon
Sala da fornalha. Há quem interprete o termo como sinónimo de Tepidarium
11
Pulvinus
Platibanda. Muro de suporte a rematar terraço ou plataforma
16
Puteus
Poço
25
14,25
Scalae
Escadas
27,30
Silva
Bosques, floresta
3,5,21,26
Sphaeristerium
Campo de jogos com bolas
12
27
Stibadium
Cama de mesa semicircular, de uso exterior na época de Plínio
36,37
Subterraneum
Galeria subterrânea
30
Tectum
Construção coberta
14,24,27
32,39
Triclinium
Salão de jantar com três camas de mesa dispostas em forma de U.
Define-se época de formação de um topónimo como o período histórico-linguístico (e, se possível, o século) da sua constituição no território de estudo, pelos habitantes ou autoridades administrativas. Época de atestação é a data da fonte documental mais antiga que identifica o topónimo.
Os topónimos da Carta de ocupação romana do Sul da Lusitânia são recolhidos em fontes documentais que vão desde a 1ª Idade do Ferro (fontes pré-romanas, exclusivamente gregas no caso do território de estudo) até à actualidade (repertórios toponímicos contemporâneos), com realce para as fontes coevas da Época Romana propriamente dita.
Pode existir assim um desfasamento, que pode ser enorme (17 séculos!) entre a época de constituição inicial do topónimo na sua língua e contexto originais e a época (e a língua) em que ele surge documentado pela primeira vez. É o caso de inúmeros meso e microtopónimos que só foram identificados após a publicação das cartas militares ou de compilações locais, realizadas apenas no séc. XX.
Quando a atestação que nos chega é de uma fonte de uma época posterior, torna-se imperativa a validação da sua evolução histórico-linguística e a reconstituição da forma original na época de estudo.
Fontes
As fontes classificam-se nos seguintes grupos:
Anteriores à época de estudo: Formas toponímicas pré-romanas, atestadas em autores e legendas anteriores a 200 a.n.e.
Coevas da época de estudo:
* Fontes e legendas greco-romanas do séc. II a.n.e a V n.e.
* Compilações posteriores de fontes Greco-Romanas mais antigas (autores bizantinos): séc. VI a XV
* Fontes peninsulares tardo-antigas e visigóticas: séc. V a VII
Fontes posteriores. As que referem topónimos da sua época mas onde é possível reconhecerem formas fossilizadas ou transformadas de topónimos da época de estudo:
* Fontes intermédias: árabes e latinas medievais
* Fontes modernas e contemporâneas (geralmente posteriores ao séc. XVII, sendo a sua maioria de meados do séc. XX).
Fontes
Período aproximado
ou convencional
ÉPOCAS
ANTERIORES
A- Pré-romanas
Anteriores ao séc. III a.n.e.
ÉPOCA ROMANA
I
B- Greco-Latinas da Época Romana
Séc. II a.n.e. a séc. V n.e.
Conquista
200 a 80 a.n.e.
Guerras Civis a Augusto
80 a.n.e. a 14
Alto-Império
14 a 193
Séc. III
194 a 299
Baixo-Império
300 a 476
ANTIGUIDADE
TARDIA
II
C- Greco-Latinas da Antiguidade Tardia
séc. V e VIII
Pré-visigóticas
Bizantinas. Incluindo compilações posteriores
séc. VI a XIV
Visigóticas
séc. VII
ÉPOCAS
POSTERIORES
D- Alto-Medievais
D1- Moçárabes
séc. VIII a XII
D2- Árabes coevas do Gharb al-Andalus
séc. VIII a XIII
D3- Árabes. Compilações posteriores
séc. XIII a XVI
D4- Latinas medievais
séc. X a XIII
E-Portuguesas
E1- Medievais
séc. XII a XV
E2- Modernas
séc. XVI a XVIII
E3- Contemporâneas
séc. XIX e XX
Principais fontes toponímicas do Algarve Medievais, modernas e contemporâneas
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Forais e ordenações, séc. XIII a XV
Visitações e actas camarárias, séc. XIV e XVII
Corografias e histórias religiosas, séc. XVI a XVIII: Frei João de São José, Fernandes Sarrão, Pedro Texeira, Santuário Mariano, André de Resende, Frei Vicente Salgado
Memórias Paroquiais (Dicionário do P. Luis Cardozo), 1758 e seguintes
Toponímia da cartografia do séc. XVII e XVIII: Karel Allard, Pedro Texeira, Torfino de San Miguel, Carpinetti
Silva Lopes (1820-1842): Toponímia do mapa, da corografia e do roteiro
Filipe Folque: Toponímia do mapa
Gerardo Pery: Toponímia do mapa: folhas impressas e minutas
Pinho Leal: Portugal Antigo e Moderno
Obras de Leite de Vasconcelos
Estanco Louro: Toponímia do Algarve, manuscrito inédito
Toponímia da Carta Militar do Continente, 1ª edição
Obras de José Pedro Machado e A. Almeida Fernandes
Repertório toponímico do Continente, da Carta Militar, 2ª edição
Toponímia do cadastro fundiário e das listas de moradas de recenseamento e de distribuição de correio
Monografias locais, desde finais do séc. XIX até à actualidade: Ataide de Oliveira, Estanco Louro, Casimiro Anica, etc.
Reportórios e levantamentos de património local
Validação histórico-linguística de topónimos atestados tardiamente
Limitações, perigos e abusos: Etimomancia
A aceitação de etimologias antigas para topónimos atestados modernamente, ou em épocas posteriores ao domínio linguístico em causa, é um processo sujeito a muitas críticas, sobretudo quando não existem atestações coevas.
Verifica-se, de facto, uma tendência perniciosa e generalizada para as manipulações linguísticas e para o uso e abuso de homofonias, sem bases documentais nem uma aferição cuidadosa da história de cada topónimo. Esta tara pseudocientífica tem sido designada como Etimomancia.
A Linguística Histórica tem sido amplamente abusada e maltratada, tanto por leigos como por investigadores doutras disciplinas que não possuem formação especializada.
A Etimomancia é sobretudo frequente em estudos etimológicos pré-romanos, em que as manipulações silábicas e as analogias fonéticas se transformam frequentemente numa lotaria de permutações, desprovida de sentido histórico, geográfico e filológico, produzindo sempre os resultados desejados e pré-concebidos pelo "investigador".
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Os etimomantas procedem através de um salto mágico entre a toponímia do presente (de preferência "oral" para evitar a contaminação escrita) e um passado linguístico mítico e original. Ignoram propositadamente todo o processo intermédio multimilenário da linguística histórica, partindo da crença que as miscigenações e mudanças de paradigma linguístico são pouco significativas face à manutenção arquetípica da semelhança entre a língua "original" e o português popular falado da actualidade!
Postulam frequentemente a existência de uma língua "konni" (ou seja a "Escrita do Sudoeste", que permanece desconhecida) que crêem ler fluentemente a partir de línguas semíticas ancestrais decalcadas do Levante asiático do 3º ou 2º milénio a.n.e.!
Ignoram ostensivamente, por crassa ignorância ou má-fé, os aportes do árabe e do latim na toponímia e na língua portuguesa, pois só assim conseguem inventar pseudo-etimologias "semíticas" pré-históricas.
Na realidade ignoram virtualmente tudo sobre a ciência linguística mas acreditam possuir uma chave interpretativa alternativa e superior à "ciência oficial". Esta é uma imagem de marca da charlatanice pseudocientífica.
A etimomancia constitui uma forma especializada de irracionalismo idealista, possível graças à tremenda ignorância filológica gerada pela especialização académica e a uma certa predisposição psicológica para as derivas mágico-cabalisticas.
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Para minimizar estes riscos, sem contudo os poder anular completamente, resolvemos adaptar um conjunto de regras de interpretação toponímica, aplicáveis apenas a topónimos de etimologia latina (ou expressos em língua latina) provenientes da zona moçárabe do território português.
Estas regras só têm sentido quando aplicadas num quadro controlado por especialistas de cada fase linguística. No nosso caso recorremos a dois latinistas (Estudos Clássicos), um arabista medievalista com conhecimentos de língua berbere e uma filóloga especialista em Romance Moçárabe e história da língua portuguesa. Temos tido ainda amáveis opiniões de dois semitologistas. Falta-nos porém a avaliação de especialistas em filologia "indo-europeia" e "ibérica" pré-romana.
Princípios gerais
Na análise etimológica deve respeitar-se a estratigrafia linguística do território de estudo, isto é, o quadro histórico e cronológico da evolução linguística:
- Entre a época de formação do topónimo e a sua primeira atestação, a forma linguística sofre uma sequência de modificações: transformações provocadas pela influência de uma nova língua, evoluções provocadas pelas alterações históricas de uma língua pré-existente.
- A análise de validação deve ser realizada de forma regressiva, desde a fase mais próxima/moderna até à mais distante/antiga. Os topónimos devem cumprir retroactivamente as regras de alteração linguística de cada fase, de modo a evitarem-se anacronismos linguísticos baseados em evoluções etimológicas que ignorem fases linguísticas intermédias.
- Um topónimo não pode ter uma origem anterior à época de introdução da sua raiz linguística, pelo que a sua origem linguística deve fazer-se coincidir com a fase em que o seu étimo tem um significado transparente na língua, sempre que não haja uma hipótese fundamentada de substituição homofónica de um topónimo anterior.
- Não podem ser étimos transparentes (isto é, com um significado corrente) em línguas pós-romanas, nomeadamente em português ou em árabe medieval, apesar de uma eventual etimologia greco-romana. Exceptuam-se os casos em que não há confusão entre o significado original e o sentido corrente, sendo possível identificar ambos. Étimos transportados podem produzir toónimos em qualquer período da sua vigência linguística, podendo assim ser anacrónicos.
Os topónimos actuais, derivados de formas originais latinas, podem ser considerados de dois tipos, cada um com as suas regras próprias de validação:
Transformações posteriores de topónimos já conhecidos na sua forma original ou intermédia mais antiga.
Primeiras atestações, necessitando de um processo de reconstituição.
Regras específicas
Regras de aceitação de topónimos do 1º tipo (com atestações em fontes coevas e posteriores):
Devem ter uma evolução linguística regular ou viável desde a forma original até à atestação árabe ou portuguesa mais antiga.
Pode aceitar-se uma evolução linguística irregular, baseada na substituição homofónica (assimilação linguística: substituição de um termo opaco, pré-existente, por um termo comum e familiar da nova língua que soa de modo idêntico ou muito semelhante aos ouvidos do falante desta), resultante em palavras transparentes em português, árabe ou berbere (isto é serem palavras correntes da língua, na actualidade ou em fases linguísticas anteriores), desde que haja uma confirmação externa da identidade entre o lugar da atestação original e o lugar do étimo moderno.
Regras de aceitação de topónimos do 2º tipo (sem atestações originais):
Devem ter uma etimologia latina, greco-bizantina ou germânico-visigótica, registada noutros topónimos ou em palavras transparentes dessas línguas susceptíveis de uso toponímico.
São aceites sempre que tenham partes específicas ou características de evolução moçárabe regional, revelando a sua existência anterior ao domínio islâmico ou, pelo menos, até ao séc. X. Estes étimos são classificados como Tardo-Antigos e a sua atribuição à época romana pode ser indeterminada, dependendo do seu valor corográfico e contexto extralinguístico.
Devem ter uma retro-evolução linguística regular desde a forma atestada mais antiga até à etimologia sugerida. As derivações irregulares produzem sempre reconstituições duvidosas, que poderão ser incluídas apenas quando não existam alternativas, desde que devidamente subqualificadas.
As variações irregulares podem ser aceites com as restrições acima indicadas, em processos de dupla hibridação linguística com o árabe e com o português, desde que existam paralelos semelhantes com outros étimos, sugerindo a existência de regras complexas ou mal conhecidas.
Podem ser formas intermédias arabizadas, quer pelo árabe quer pelo romance moçárabe
Podem ser traduções quase literais de topónimos latinos ou latinizados em árabe, desde que os topónimos originais estejam atestados em fontes antigas.
Não podem ser formas específicas dos Romances galaico-português e leonês, nem étimos ou antropónimos de origem sueva, o que revelaria a sua importação posterior ao séc. XIII.
As variações ortográficas não devem ser valorizadas. Muitas vezes, as primeiras atestações medievais e modernas, sobretudo as de documentos administrativos locais, apresentam uma grafia pouco digna de confiança, devido à iliteracia generalizada, à não familiaridade com termos locais e à ausência de normalização linguística na toponímia.
As formas latinas aproximadamente clássicas devem ser eliminadas como anacrónicas, excepto quando escondam formas degeneradas mais antigas. De facto, a partir do séc. XVIII tornam-se frequentes as hipercorrecções eruditas, realizadas a partir de formas locais "degeneradas". Em Portugal, estas hipercorrecções abrangem a grande maioria dos hagiónimos, desaparecendo as designações populares, por vezes muito antigas. Só sobrevivem geralmente os hagiónimos fósseis, transformados em topónimos, em dois casos: quando já perderam a associação com a dedicação religiosa primitiva ou quando o culto se tornou residual, em lugares pouco importantes.
Desde meados do séc. XIX a toponímia é produzida, sobretudo, por notários ou cartógrafos militares e civis com um bom nível de instrução, que tendem sistematicamente a "corrigir" os topónimos duvidosos de acordo com a norma escrita do Português moderno.