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Friday, August 12, 2011

Projecto Milreu. A proposta


Reconstituição da villa de Milreu na 2ª metade do séc. 4º da nossa Era

Divulgação científica e cultural sobre a villa de Milreu e o Algarve Romano
Programa de conteúdos para um ciclo de exposições temporárias e para um centro interpretativo permanente



Uma interessante conferência em Milreu na Primavera de 2009, sobre os peixes representados nos mosaicos locais, esteve na origem da constatação do tremendo abandono e subaproveitamento informativo das ruínas da villa romana.
A reunião então de um grupo considerável de pessoas culturalmente e profissionalmente diferenciadas revelou também factos relevantes:

  • O grande interesse pelo lugar e pela identificação, reconstituição e uso das estruturas sobreviventes no passado.
  • A total incapacidade de ler as ruínas e de as relacionar com as edificações originais.
  • Um profundo desconhecimento de tudo o que diga respeito à Época Romana em geral e ao Algarve Romano em particular.

Surgiu assim a ideia de organizar uma exposição temática sobre Milreu e o seu contexto histórico e regional, numa época oportuna em que estava a escrever um estudo sobre Marim (com algumas partes entretanto publicadas neste blogue) e em que a tese de Felix Teichener tinha sido há pouco publicada.

Em Setembro desse ano acordámos apresentar uma proposta mais elaborada, ficando eu encarregue da sua elaboração e apresentação, que se realizou em Janeiro de 2010 à Direcção Regional de Cultura do Algarve, então dirigida pela arqueóloga Dália Paulo.

Este post contém as partes mais importantes dessa proposta.

INTRODUÇÃO

A villa romana de Milreu é a estação arqueológica visitável mais importante do Algarve.

Para amplas camadas do público é o único monumento conhecido dessa época, constituindo um verdadeiro ex-libris do Algarve Romano.

A importância histórica e científica de Milreu transcende no entanto as fronteiras culturais da região. É a villa romana mais bem estudada e com mais referências em publicações internacionais e constitui um exemplar paradigmático de villa hispânica tardia, com aspectos originais que a tornam motivo de interesse permanente por parte de especialistas e leigos.

No entanto, esta importância e interesse estão muito longe de se reflectir nos dispositivos de informação e conhecimento existentes no local.

Existe um larguíssimo hiato entre os vestígios visíveis e o riquíssimo contexto histórico-arqueológico, artístico e cultural que os fundamenta. Na actualidade é virtualmente impossível apreender a reconstituição arquitectónica e decorativa das ruínas da villa na 2ª metade do séc. IV – época do seu apogeu – assim como a história espacial e funcional de Milreu, numa visão diacrónica de mais de 800 anos de ocupação.

Esta proposta tem como objectivos colmatar este défice nos seus pontos mais importantes e contribuir para transformar Milreu numa sala de visitas do Algarve Romano e num possível centro explicativo da Época Romana, a nível regional.

   

AUTORES

Félix Teichner

Arqueólogo, professor doutorado na Universidade de Frankfurt. Sucessor de Theodore Hauschild no estudo do Algarve Romano pela escola arqueológica alemã. A sua investigação sistemática de Milreu (e Abicada e Cerro da Vila) representa um ponto culminante dos seus trabalhos até à data, elevando o nível de conhecimentos sobre o local a um grau nunca antes atingido, materializado na sua tese de doutoramento Zwischen land und Meer.

Destacam-se as escavações originais de importantes sectores da villa, o estudo exaustivo e comparado das divisões edificadas e as reconstituições arquitectónicas e musivárias.

Principal bibliografia do autor sobre Milreu e outras villas romanas do Algarve:

  • Acerca da vila romana de Milreu/Estoi – Continuidade da ocupação na Época Árabe, Arqueologia Medieval, 3, Mértola, 1994
  • Die römischen Villen von Milreu (Algarve/Portugal). Ein Beitrag zur Romanisierung der südliichen Provinz Lusitania, Madrid Mitteilungen, 38, Mainz, 1997
  • Uma nova interpretação da área 21, a partir da da planta elaborada por Sebastião Philippes Martins Estácio da Veiga, sobre a Villa romana de Milreu (Estoi, Algarve) – notícia preliminar. In O Arqueólogo Português, IV, 19,2001
  • Resultados preliminares das últimas escavações na parte rústica noroeste da Villa romana de Milreu. Actas do Encontro de Arqueologia do Algarve 2001, Xelb, 4, Silves, 2001
  • Milreu, ruínas, IPPAR, Lisboa, 2002 (co-autoria)
  • Resultados preliminares das últimas escavações na pars rústica noroeste da villa romana de Milreu, XELB, 4, 2003
  • Breve descrição dos vestígios arqueológicos identificados sob a Casa Rural de Milreu (Estoi, Faro). Estudos/Património, IPPAR, 6, Lisboa, 2004.
  • Cerro da Vila – aglomeração secundária e centro de produção de tintura no sul da província Lusitânia. In Actas do 2° Encontro de Arqueologia do Algarve, Xelb, 5, Silves, 2005
  • Neue Forschungen zu den römischen Villen Lusitaniens. In Akten des Kollquiums Vesprem 2004. Balácai Közlemények, 9, Vesprem, 2005.
  • Produção de tintura no sul da Lusitânia – O caso da estação portuária do Cerro da Vila. In Actas do Simpósio Internacional em homenagem a Françoise Mayet. Setúbal Arqueologica, 13, Setúbal, 2006
  • Imagens da vida de civilizações perdidas – A reconstrução virtual da arquitectura romana em Pompéia (Itália) e no Sul da Lusitânia (Portugal). In Actas do Encontro de Arqueologia do Algarve 2005. Xelb, 6, Silves, 2006
  • De lo Romano a lo Árabe. La transición del Sur de la Provincia de Lusitania a Al-Gharb al-Andalus. Nuevas investigaciones en los yacimientos de Milreu y Cerro da Vila, AESPA, XXXIX, Madrid, 2006
  • Cerro da Vila – Aldeia do mar na época islâmica. In Al-Ândalus espaço de mudança – Homenagem a Juan Zozaya – Mértola 2005. Mértola. 2006 (co-autoria)
  • Subsídios para a restituição virtual da villa romana de Abicada (Mexilhoeira Grande, Algarve), Património-Estudos, 10, IPPAR, Lisboa, 2007
  • La pars urbana tardorromana de la Villa de Milreu (Estoi, Portugal): nuevos descubrimientos y antiguos documentos, Gijón, 2008
  • Entre tierra y mar. Zwischen land und Meer, 2 vols., Stvdia Lvsitana, nº3, Museu Nacional de Arte Romano, Mérida, 2008


Luis Fraga da Silva

Geógrafo humano, membro da direcção do Campo Arqueológico de Tavira. Autor de diversos trabalhos de história territorial e cartografia do Algarve Romano, com destaque para a síntese corográfica da região e para os estudos monográficos: o norte e o leste do território de Ossonoba, Balsa e a sua região, Tavira e o Algarve oriental e os centros do litoral. A problemática das villae tardias e de Milreu tem um papel importante na sua obra mais recente – ainda em curso – sobre Marim romano.

Principal bibliografia do autor sobre temas do Algarve Romano:

  • A região de São Brás de Alportel na Antiguidade. O povoamento romano e a sua evolução posterior; Campo Arqueológico de Tavira, 2002
  • Corografia do Algarve Romano. Reconstituição da costa, do povoamento, da rede viária, dos cadastros e da toponímia. Cartografia e memória descritiva; Campo Arqueológico de Tavira, 2003-7
  • O Santuário do Monte Figo e as rotas marítimas do Algarve Romano in
    O culto de Baal em Tavira; Huelva Arqueologica, 20, 2004 (co-autoria).
  • Tavira Romana e a rede viária do Algarve Oriental; Campo Arqueológico de Tavira, 2005
  • A forma urbana de Ipses/Albur/Alvor; Xelb, VI, Silves, 2006
  • Portos do Algarve Romano: Tipologia, Portus Hannibalis, Lacobriga, Portus Magnus, Vilamoura e Ossonoba; blogue imprompto.blogspot.com, 2005-6
  • O Algarve Romano em voo de pássaro, Apresentação, S. Brás de Alportel, 2006
  • Balsa, cidade perdida; Câmara Municipal de Tavira e Campo Arqueológico de Tavira, 2007
  • Balsa, cidade perdida: exposição; concepção e conteúdos; Campo Arqueológico de Tavira, 2008
  • Marim Romano e o território entre Ossonoba e Balsa; Campo Arqueológico de Tavira, 2009


Sinergia de conhecimento e experiência

A reunião destes investigadores neste projecto representa uma mais-valia única no actual quadro de investigação original sobre o Algarve Romano, através de uma concepção partilhada da História e de dois pontos de vista que se complementam: o da arqueologia e o das ciências sociais históricas.

Ambos os autores têm noções claras da importância cultural da divulgação científica de qualidade, no âmbito histórico-arqueológico da Época Romana, e ambos têm prática demonstrada de elaboração de conteúdos correspondentes, textuais e gráficos, sobre temas de grande complexidade.


OBJECTIVOS E ESTRATÉGIA

Objectivos programáticos

Pretende-se privilegiar o carácter social humano dos vestígios arqueológicos, em detrimento de um antiquarianismo formalista.

Colocam-se assim as ciências sociais históricas como fundamentos das diversas sínteses explicativas sobre Milreu. Procura-se explicar e interpretar o sítio como resultante de longos e complexos processos políticos, socio-económicos, culturais e técnicos que moveram muitas gerações humanas através de um tremendo esforço social, próprio do domínio romano.

Pretende-se também destacar os elementos sobreviventes que são visualmente e esteticamente mais notáveis e apelativos, símbolos principais da riqueza cultural do lugar.

Estes objectivos primordiais concretizam-se através do papel central dado às reconstituições arquitectónicas como nível charneira entre a evidência arqueológica e a sociedade, a cultura e o território da época romana.

Tal abordagem é possível graças às características do local – nomeadamente a extensão das ruínas conservadas e o nível do seu estudo. Assim, a reconstituição da arquitectura (e, secundariamente, da decoração arquitectónica, nomeadamente da musivária) é o tema de maior destaque na presente proposta e os projectos museográficos relacionados correspondem à maior parte dos custos financeiros do projecto.

A arquitectura reconstituída articula-se directamente com a história da ocupação do lugar – através das fases de edificação identificadas - e com as características do seu povoamento, que relaciona o sítio de Milreu com os paralelos de outras villas e com o conceito geral de villa nas suas facetas estrutural, sociopolítica, cultural e económica.

A história do sítio e a sua localização articulam-se por sua vez com a história do Império romano e as suas extensões regionais ao Algarve e ao território de Ossonoba. O contexto regional de Milreu é considerado determinante na compreensão da localização e desenvolvimento do sítio.

A fase de apogeu de Milreu, directamente ligada às ruínas existentes liga-se directamente às características da sociedade romana do séc. IV e ao fenómeno das villas tardias, de que Milreu constitui um exemplo paradigmático.


Estratégia

Pretende-se elaborar uma síntese rica e actualizada, com níveis explicativos de grau de complexidade e detalhe distintos e com uma diferenciação temática adequada a grupos de públicos diversificados.

Distinguem-se três tipos de público:

  1. Público articulado e com hábitos de leitura, detentor de uma cultura geral média ou superior mas portador de um défice relativamente ao conhecimento da Antiguidade Clássica em geral e do Algarve Romano em particular.
    Enquadra-se neste perfil não só a grande maioria dos visitantes que visitam Milreu por sua própria iniciativa como também os professores dos níveis básico e secundário que realizam visitas didácticas ao local e os estudantes do ensino superior e profissional da esfera técnico-patrimonial, para quem Milreu constitui objecto de estudo curricular.
    Este tipo de público constitui o alvo estratégico deste projecto, por ser genericamente o grupo potencialmente divulgador e transmissor de conhecimento para os restantes públicos, através de didactismo formal e informal nas esferas escolar, familiar e da comunicação mediática.

    Também se incluem marginalmente neste grupo os gestores e funcionários da administração e dos sectores culturais e patrimoniais, com poder decisivo ou consultivo sobre temáticas relativas ao Algarve Romano ou que são chamados profissionalmente a escrever tópicos de divulgação histórico-cultural para o grande público.
  2. Jovens estudantes e adultos dotados de curiosidade e imaginação, que privilegiam as imagens relativamente ao texto escrito.
    Inclui-se neste grupo a parte do público que poderá ser estimulada a pertencer ao grupo A e, em particular, a geração futura que se poderá interessar vocacionalmente pelo estudo da História Antiga.
  3. Crianças e adultos sem cultura geral e funcionalmente iletrados, que privilegiam os objectos físicos e os filmes sonorizados relativamente a imagens codificadas ou abstractas. Incluímos neste grupo uma parte importante dos visitantes passivos, integrados em visitas organizadas.
    Relativamente a este grupo o programa pretende elaborar elementos de entretenimento que tornem positiva a memória da visita a Milreu e a experiência de contacto com aspectos da Antiguidade Romana, nomeadamente os elementos mais espectaculares de reconstituição arquitectónica e a compreensão do impacto da passagem do tempo entre o passado e o presente.
O projecto apresenta dispositivos de informação para cada um dos tipos de público descritos.

Usam-se para o efeito dispositivos museográficos complementares. Numa escala progressiva de abstracção: réplicas físicas em tamanho real; cenários físicos em tamanho real; maquetas físicas à escala; apresentação multimédia 3D passiva (vídeo); reconstituições estereoscópicas fixas; apresentação multimédia 3D activa (interactiva); painéis de texto e infografias de desenhos tridimensionais; plantas e alçados arquitectónicos; e composições decorativas.

A informação textual e infográfica (de imagens codificadas, de mapas, diagramas e plantas arqueológicas) que fundamenta os módulos de painéis expositivos e as respectivas edições impressas destinam-se fundamentalmente ao público do tipo A. Ao tipo B poderá ser atingido através da disposição hierarquizada de blocos de texto, através de títulos e destaques

O fundamental do investimento imagético (e dos correspondentes custos financeiros) consiste em reconstituições da arquitectura e dos ambientes visuais do local, em épocas correspondente às ruínas actualmente visíveis. Privilegia-se neste âmbito os públicos B e C:

Réplicas materiais Visão de elementos materiais tal como seriam na sua época original. Modo sensorial simples de revelar os efeitos da passagem do tempo e valorizar os vestígios degradados sobreviventes, sobretudo quando as réplicas se podem colocar in situ. A sua exposição permite ainda a salvaguarda do original.
Cenários Montagens reunindo elementos arquitectónicos e decorativos reconstituídos, réplicas de mobiliário e, eventualmente, manequins vestidos. 
Maquetas comparadas Comparação visual do mesmo terreno em escala reduzida nas duas épocas proporcionando uma integração mental da passagem do tempo e dos seus efeitos na paisagem.
Maquetas didácticas Modelos à escala de edifícios específicos, revelando detalhes arquitectónicos interiores e exteriores e elementos funcionais.
Estações estereoscópicasDescritas mais adiante.
Vídeo Animação 3D, descrita mais adiante.

PROPOSTA

Desenvolvimento de conteúdos temáticos sobre a villa romana de Milreu, ao longo de um período de dois ou três anos.

A proposta materializa-se através de um plano de realização de dispositivos museológicos, em que a responsabilidade dos autores é definida nos tópicos a seguir enunciados:

Ideias

A concepção e projectos de realização da proposta são da exclusiva responsabilidade dos autores.

Conteúdos

Todos os conteúdos são produzidos pelos autores e membros da sua equipa, nomeadamente:

Textos
Imagens e composições infográficas
Planos arquitectónicos e topográficos
Desenho de adereços
Guiões multimédia
Especificações de dispositivos museográficos físicos
Modelo digital 3D (versão elementar)
Os autores podem solicitar ao Promotor elementos documentais e informativos necessários à realização do projecto, nomeadamente fundos cartográficos e estatísticos na posse de instituições públicas.

Colaborações

Os autores podem cooptar outros investigadores ou técnicos de temáticas específicas.

Pré-produção

Os autores produzirão pessoalmente as especificações de pré-produção dos conteúdos finais, ou delegá-las-ão em membros da equipa ou das entidades encarregadas da produção, conforme entenderem ser mais adequado à garantia da qualidade final. Cabe nomeadamente aos autores definir os layouts de pré-produção dos painéis dos módulos expositivos, das animações 3D e de parte das edições.

Realização

A realização dos dispositivos propostos (produção e pós-produção) fica a cargo de terceiros, a designar pelo Promotor, com a anuência dos autores. O Gestor do Projecto articulará as relações entre as partes.

Controlo de qualidade

Os autores ou elementos da equipa são responsáveis pelo acompanhamento e controlo de qualidade da produção de terceiros, com destaque para as artes gráficas e para a revisão e edição final pelos autores de todos os textos e materiais apresentados e publicados.

Os autores são pessoalmente responsáveis por todos os elementos museográficos produzidos ou contratados e têm direito de veto sobre a sua aceitação.

Eventos

Os autores e elementos da equipa apresentarão uma disponibilização programada para a realização de colóquios organizados pela entidade promotora no âmbito de cada fase ou evento museológico, descriminados no faseamento da proposta.

Manutenção dos conteúdos dos módulos expositivos

Os autores manterão uma actualização de conteúdos segundo a evolução do estado dos conhecimentos, a correcção de erros e a experiência adquirida ao longo das apresentações temáticas (módulos expositivos), durante o prazo útil de apresentação e itinerância das apresentações.

 

Conteúdo

Elementos museológicos
Descrição sumária
Público alvo
1. Programa de módulos expositivos

Módulos constituídos por colecções de painéis de textos e infografias e por edições auxiliares.
Cada tema corresponde a cerca de 4-8 painéis A0 de informação.
Os módulos correspondem a exposições autónomas e transportáveis. Podem ser reutilizados noutros locais e ter um carácter mais ou menos temporário, de acordo com as necessidades de programação.
A possibilidade de replicação física aumenta o potencial informativo deste tipo de dispositivo e diminui os custos unitários da sua produção.
1.1 Módulos temáticos parciais
Cerca de 8 temas. Ver plano temático mais adiante, na pág. 21.
Certos temas são passíveis de subdivisões em módulos distintos ou de agregação num só módulo.
A 
1.2 Módulo de síntese    
Incorpora as sínteses temáticas parciais
A 
2. Edições
Por razões de economia apenas se propõe a tradução das folhas de sala e das brochuras dos módulos expositivos. A tradução do livro sobre os mosaicos poderá justificar-se em termos comerciais.
Deixa-se ao critério da entidade promotora a selecção das línguas da tradução.
2.1 Associadas aos módulos expositivos
2.1.1 Folhas de sala
Correspondentes a cada módulo expositivo.
Folheto A4 a preto e branco, em várias línguas.
Incluem toda a informação textual e imagética dos painéis e de outros elementos expostos.
A 
2.1.2 Brochuras correspondentes a módulos ou temas gerais
Brochura impressa a cores, em várias línguas.
Com textos mais desenvolvidos relativamente às folhas de sala.
A 
2.2 Publicações de obras originais
Edições com a chancela do IPPAR ou co-edições com uma editora comercial.
2.2.1 Milreu. Guia Arqueológico e Cultural
Plano a desenvolver oportunamente
A 
2.2.2 O Algarve Romano em voo de pássaro
Plano a desenvolver oportunamente
A 
2.2.3 Os mosaicos romanos de Milreu. Reconstituição e situação original
Catálogo sistemático dos mosaicos.
  • Situação original na planimetria arquitectónica e fase construtiva.
  • Reconstituição geométrica, figurativa e colorimétrica.
Elementos geométricos e figurativos.

Os peixes. Estudo figurativo e biológico.
Aspectos artísticos e técnicos. Paralelos.
Contexto sociopolítico e cultural 
A 
3. Projectos museográficos especiais
3.1 Estações estereoscópicas fixas
Reconstituição arquitectónica e ambiental de 4 a 6 pontos de vista fixos, reconstituídos em estereoscopia.
Estações em sítios pré-definidos da villa: postes com visores estereoscópicos orientados para um dado campo de visão, com slides a cores desse ponto de vista reconstituído (slides tipo viewmaster).
Permite a visualização a cores e em três dimensões das estruturas edificadas reconstituídas, correspondentes ás ruínas actualmente existentes e segundo um ponto de visão realista, à escala real.
Dois visores por poste, colocados à altura dos olhos de um adulto e de uma criança de 8-12 anos.
B/C 
3.2 Maquetas físicas comparadas, na época romana e na actualidade
Duas maquetas na escala proposta de 1:100, da mesma área originalmente abrangida pela villa romana. A
B/C 
3.2.1 Em c. 350
Maqueta do conjunto da villa romana na sua época de apogeu, correspondente à maioria das ruínas sobreviventes.
3.2.2 Na actualidade
3.3 Apresentações multimédia 3D. Reconstituição digital da arquitectura, decoração e paisagem
3.3.1 Vídeo sonorizado
Ver esboço do guião mais adiante, na pág. 22.
B/C 
3.3.2 Aplicação interactiva
A desenvolver oportunamente
B 
3.4 Cenários museológicos em tamanho real
Encenações arquitectónicas e decorativas de partes específicas de divisões da villa. Destaque para os elementos arquitectónicos e para as decorações murais e de pavimentos nas suas cores originais.
C 
3.4.1 Zona do triclínio

3.4.2 Zona da galeria do peristilo
3.5 Maquetas físicas de edifícios específicos
Modelos à escala, entre 1:20 e 1:50.
Com cortes na estrutura que permitem uma visão interior dos edifícios.
Adição de elementos de mobiliário, de produções e de ilustração de actividades humanas.
Acompanhadas de painéis com infografias explicativas. 
B 
3.5.1 Lagar de azeite
3.5.2 Lagar de vinho
3.5.3 Celeiro
3.5.4 Balneário
3.5.5 Templo
3.6 Réplicas físicas em tamanho real
Réplicas de elementos arquitectónicos, reconstituídos com o seu aspecto original.
C 
3.6.1 Mosaico reconstituído dos peixes do peristilo
Painel reconstituído do mosaico dos peixes do pavimento oriental do peristilo.
3.6.2 Elementos da colunata do templo
Três colunas reconstituídas e duas arcadas correspondentes, in situ.
4. Conferências

(associadas aos módulos expositivos e à edição de livros)
A 

Faseamento

O faseamento deriva de da combinação de três factores:

  • Precedência contingente do desenvolvimento de certos tópicos e distribuição do tempo necessário ao desenvolvimento dos conteúdos.
  • Primazia programática dos conteúdos destinados ao grupo de público A relativamente aos dispositivos técnicos e materiais.
  • Distribuição temporal da carga financeira
Elementos Faseamento temporal sequencial 
Fase 1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 
1. Módulos expositivos 1.1 Módulos parciais 1.2 Módulo de síntese
2. Edições 2.1.1 Folhas de sala

2.1.2 Brochuras  
2.2.1 Livro Milreu

2.2.2 Livro Algarve Romano 
2.2.3 Livro Mosaicos 
3. Projectos museológicos especiais
3.1 Estações estereoscópicas
3.2 Maquetas gerais  
3.3.1 Video 3D

3.3.2 Aplicação interactiva 3D
3.4 Cenários tamanho real

3.5 Maquetas de edifícios específicos
3.6 Réplicas físicas 
4. Conferências Cada módulo Livro Milreu

Livro Algarve Romano 
Apresentação multimédia

Livro Mosaicos 

 

Precedências

Fases preparatórias e de pré-produção. Relações de precedência entre conteúdos gerais e elementos museográficos.

Elaboração de conteúdos. Fases preparatórias comunsELEMENTOS MUSEOGRÁFICOS Fases de pré-produção
originais

Textos em português 
Textos e figuras 2.2.1 Livro MilreuSelecção de ilustrações

Layout

Revisão de autor

Material de promoção e divulgação 
2.2.2 Livro Algarve Romano
2.2.3 Livro Mosaicos
1. Módulos expositivosSequenciação e hierarquia dos cartazes e elementos museográficosBrochura
Textos em alemão Tradução

Revisão
Folhas de Sala
Painéis expositivos
Legendas e efeitos museográficos
FigurasMapas

Infografias

Fotos e desenhos
Material de promoção e divulgação
Desenhos arquitectónicos: plantas e alçados,

em alemão 
Tradução

Revisão 
3.6 RéplicasProjecto
Modelo digital 3D da villa
e do território
3.1 Estações estereoscópicasProjecto das estações

Selecção de pontos de vista

Correcções e acabamentos dos slides
3.2 Maquetas geraisProjecto 
3.3 Animações 3D em vídeoGuião

Acompanhamento da produção vídeo
3.4 CenáriosProjecto

Selecção de mobiliário e detalhes decorativos
3.5 Maquetas edifíciosProjecto

Selecção dos edifícios e cortes

Selecção de trabalhos, objectos e figuras

Todos os projectos museográficos especiais (itens 3 da Proposta), com excepção das réplicas (3.6), são contingentes do desenvolvimento prévio do modelo digital 3D da arquitectura, decoração e terreno.

Este modelo digital estrutura-se em três níveis de desenvolvimento complementares, progressivamente mais realistas, completos e dispendiosos:


Nível de Animação 3D arquitectónica e paisagísticaProjectos museográficos contingentes 
Terreno, volumetria arquitectónica e desenho de alçados em pequena escala (baixa resolução) para a totalidade do sítio.

Fases construtivas da villa.
3.2 Maquetas físicas gerais comparadas do sítio 
Partes específicas desenvolvidas em grande escala, com decoração detalhada e rendering realista.3.1 Pontos de vista dos slides das estações estereoscópicas

3.4 Cenários em tamanho real

3.5 Maquetas de edifícios com vistas interiores
Terreno em resolução topográfica entre Ossonoba e Milreu.

Totalidade do sítio em média resolução.

Detalhes seleccionados em alta-resolução.
3.3 Animação 3D. Vídeo e aplicação interactiva
 

PROPOSTAS ALTERNATIVAS

Considerando-se o cenário plausível de limitações financeiras e de prioridades exógenas de programação, apresentam-se as seguintes propostas alternativas:

Propostas parciais

1. Fases 1+2
2. Fases 1+2+3

Propostas minimalistas

3. Módulo expositivo de síntese
Edição de livros:    Milreu, Algarve Romano e Mosaicos
Conferências relativas ao módulo e aos livros
4. Conteúdo da proposta 3
Estações estereoscópicas

DETALHES SELECCIONADOS DA PROPOSTA

1 .Plano temático dos módulos expositivos (Item 1.1 da proposta)

1    História, arquitectura e organização espacial e funcional da villa
1.1    Evolução histórica da ocupação de Milreu e do seu espaço edificado
1.2    A villa romana. Modelo de povoamento e instituição social e económica
1.3    Espaços e usos especializados
1.4    Villas romanas do Algarve
2    O Algarve Romano em voo de pássaro
2.1    A Época romana em contexto histórico.
2.2    As grandes fases da dominação romana
2.3    Território e ocupação. Síntese corográfica
2.4    Contexto geoeconómico do Sul da Lusitânia no Império Romano
3    A villa senhorial
3.4    Lugar de lazer rural, de representação social e de sede de poder
3.1    Aposentos residenciais, áreas de recepção e zonas de serviço
3.2    O balneário
3.3    O triclínio
4    O templo
4.1    Interpretações e contexto histórico-geográfico
4.2    Paralelos
4.3    A reacção pagã contra o Cristianismo na segunda metade do séc. IV
5    Elementos decorativos
5.1    Mosaicos
5.2    Elementos arquitectónicos
5.3    A estatuária. O coleccionismo na Antiguidade
5.4    A pintura mural
5.5    Os peixes dos mosaicos de Milreu. Arte e biologia marítima
6    A villa económica
6.1    O lagar de azeite
6.2    O lagar de vinho
6.3    Armazéns e celeiros
6.4    A villa rústica e frutuária: lugar de guarda e de produção
6.5    Divisão dos campos e calendário agrícola
6.6    A economia agrícola e a organização social do trabalho
7    De Ossonoba a Balsa. Enquadramento territorial de Milreu
7.1    Cartografia e síntese corográfica
7.2    Ossonoba. História e topografia urbanas
7.3    Balsa. História e topografia urbanas
7.4     Litoral marítimo e territórios rurais entre Ossonoba e Balsa. Sítios de ocupação romana
8    Milreu e as villas tardias da Hispânia e do sul da Lusitânia
8.1    Paralelos arquitectónicos
8.2    O apogeu das villas tardias
8.3    Milreu e os seus proprietários em meados do séc. IV. Pistas interpretativas

 

2. Vídeo de animação 3D. Elementos do guião (Item 3.3 da proposta)

  1. A villa de Milreu na actualidade e resumo da sua historiografia
  2. O Império Romano. Introdução com zoom geográfico, de Roma à totalidade do Império e à Hispânia.
  3. De Ossonoba a Milreu    
    1. Visão em voo de pássaro da costa do Algarve romano, da cidade de Ossonoba e seus arredores, do território até à Serra e da zona de Milreu sucessivamente ampliada.
  4. Fases arquitectónicas da villa    
    1. Planimetria e alçados reconstituídos. Evolução articulada com a cronologia histórica da Hispania e do Império Romano
  5. Visita a partes seleccionadas da villa    
    1. Percurso cerimonial a partir do acesso Oriental: áreas cerimoniais e sociais
      1. Mausoléus de acesso à villa pela parte oriental
      2. Templo
      3. Átrio de entrada
      4. Balneário
      5. Peristilo
      6. Triclínio
      7. Aposentos
    2. Zona doméstica e de serviço
      1. Átrio e aposentos domésticos
      2. Cozinha e dependências do pessoal doméstico
    3. A villa económica
      1. A possível casa do villicus
      2. Celeiros e produções
      3. Lagares
  6. Mosaicos reconstituídos na sua situação original    
    1. Tipologias estilísticas, contextos arquitectónicos e detalhes sobre os peixes
  7. O Centro Explicativo de Milreu e as suas valências
 ---------------------------------------------------------------------------------

Fases construtivas da villa de Milreu, segundo Felix Teichner
Villa romana de Milreu. Fase GH: anos 450 a 850 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase F: anos 350 a 450 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase E: anos 300 a 350 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase D: anos 225 a 300 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase C: anos 125 a 225 da nossa Era

Villa romana de Milreu. Fase B: anos 50 a 125 da nossa Era

 


Monday, September 06, 2010

Atlas Histórico de Tavira

Em 10 de Março de 2010 tive o gosto de apresentar ao Vice-Presidente e Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Tavira (Dr. Luís Fonseca Nunes) uma proposta de realização de um Atlas Histórico de Tavira.

É um velho projecto que amadureceu na Associação Campo Arqueológico de Tavira desde, pelo menos, 2002. Como tal, foi então apresentado como uma iniciativa do CAT pela Presidente da Associação (Dra. Maria Garcia Pereira Maia).

O texto seguinte inclui o fundamental da proposta, que inclui uma edição impressa e a pré-produção de uma exposição de painéis sobre o tema.

Por estranho e anormal que possa parecer, não recebemos até hoje (cerca de 6 meses depois) nenhuma resposta da Câmara, nem sim nem não, apesar das solicitações nesse sentido! Tudo leva a crer assim que as maneiras camarárias terão atingido nesta vereação um novo patamar, no sentido de se nivelarem com os horizontes da sua política cultural relativa ao conhecimento histórico-arqueológico!



Atlas Histórico de Tavira: apresentação

Autoria


O autor é membro da Direcção da Associação Campo Arqueológico de Tavira, no âmbito da qual tem estudado desde 1999 a temática do urbanismo histórico do Algarve e de Tavira. É o editor do site
ARKEOTAVIRA.COM da referida Associação.

Já publicou, por duas vezes, obras patrocinadas pela Câmara Municipal de Tavira:
  • Poster da Carta Arqueológica da Freguesia de Cachopo, em 2001.
  • Livro Balsa, Cidade Perdida, em 2007.
Indica-se mais adiante a sua bibliografia relativa ao tema em apreço.

Na realização do projecto serão utilizados resultados de estudos próprios e colaborações de outros autores, nomeadamente dos arqueólogos Maria Garcia Pereira Maia e Manuel Maia e de outros, a designar oportunamente.

Interesse e objectivos

Em Tavira tem havido, até hoje, um desfasamento entre a riqueza histórica do urbanismo regional e os estudos publicados sobre o assunto.

Há muito que se faz notar a falta de um atlas histórico de Tavira e das cidades da sua região, que estabeleça a evolução local do fenómeno urbano na sua dimensão histórica.

Obras recentes sobre fases do urbanismo regional e sobre aspectos do património edificado de Tavira têm tido uma grande aceitação pública, que revela o interesse geral sobre esta temática.

O Atlas contribuirá para adicionar Tavira e Balsa ao repertório de cidades históricas incluídas em estudos nacionais e internacionais, o que não tem acontecido até à data.

O Atlas tem dois objectivos concretos:
1 - Publicar pela primeira vez a colecção integral das plantas históricas de Tavira, virtualmente desconhecidas do público.
2 - Apresentar ao público e aos investigadores uma visão sistemática e detalhada da história urbana da região, através de mapas, infografias, sínteses descritivas e anexos especializados.

Propõe-se atingir estes objectivos através dos seguintes elementos:

  • Sistematização das fases do fenómeno urbano e seu enquadramento nas épocas históricas respectivas, das origens a 1913.
  • Reconstituição do urbanismo das cidades e fases urbanas anteriores à existência de plantas cartográficas (das origens a 1500): povoado fenício e turdetano, ópido do Cerro do Cavaco, cidade romana de Balsa, Tavira Islâmica e Tavira Medieval portuguesa.
  • Edição dos documentos cartográficos históricos de Tavira e estudo sistemático das realidades urbanas respectivas e da sua evolução diferencial, em 1550, 1800 e 1913.
  • Redesenho do modelo de evolução urbanística de Tavira, de Lamas e Duarte, e respectiva actualização.
  • Incorporação de um estudo original sobre a história da travessia do Gilão desde a Época romana à actualidade.
O presente projecto de Atlas fica longe de esgotar os dispositivos de conhecimento sobre a história urbana.

Permanece por fazer a publicação sistemática e crítica dos elementos de história urbana de Tavira espalhados pela documentação histórica a partir do séc. XIII, o qual permitiria interpretar melhor aspectos omissos e presentes na cartografia e outros de épocas anteriores ao séc. XVI.

As reconstituições têm também sempre um carácter provisório, dependente da acumulação de evidência material de índole geológica e arqueológica e da evolução dos estudos e teorias de constituição.

O Atlas corresponde, no entanto, ao estado de conhecimento mais actualizado e desenvolvido sobre o urbanismo da região, de acordo com os dados e concepções existentes à data desta proposta.

Âmbito municipal

Tavira é, infelizmente, um sítio demasiado pequeno e pouco importante para despertar o interesse de estudiosos da história do urbanismo, sobretudo em termos de continuidade histórica global. Não é por acaso que a cidade é omissa nos principais estudos de urbanismo histórico relativos ao território português.

Por outro lado - apesar do âmbito da história de Tavira ultrapassar as suas fronteiras concelhias - ela é, sobretudo, um tema de interesse local. Não seria assim possível publicar uma obra deste teor sobre Tavira noutro concelho ou em uma edição comercial ou institucional de carácter geral.

Neste âmbito concelhio só a Câmara Municipal de Tavira tem condições para patrocinar esta obra, pois não existem empresas, instituições ou mecenas locais capazes ou interessados em financiar um estudo de índole histórico-científica.

Por outro lado, enquanto projecto patrocinado pela Câmara Municipal de Tavira, o Atlas Histórico de Tavira poderá tornar-se um recurso documental de grande importância na promoção da política cultural municipal, nomeadamente nos dispositivos museológicos relativos à história da cidade e na fundamentação de informação destinada a um público mais amplo, de índole didáctica, turística e cultural. 

História do projecto

O Atlas Histórico de Tavira e das Cidades da Sua Região é uma obra singular, pela complexidade, duração histórica e riqueza do fenómeno urbano regional.

Não poderia ser feito por um historiador generalista ou compilador, nem tampouco por um especialista de uma dada época. Os tópicos são demasiado especializados e locais e a sua maior parte ou é inédita ou nunca foi devidamente publicada e permanece inacessível à grande maioria dos investigadores.

A quase totalidade das reconstituições de fases arqueológicas provém de trabalhos originais do Campo Arqueológico de Tavira (CAT), e o estudo analítico da cartografia histórica e da morfologia urbana das fases posteriores ao séc. XV – feita pelo proponente - é igualmente inovador a nível do Algarve.

A proposta da realização do Atlas surge agora, ao fim de dez anos de investigações, por amadurecimento de uma combinação fortuita de circunstâncias, iniciada em 1998 quando o proponente aderiu ao CAT.

A ideia do projecto começou a esboçar-se em 2003 e teve a sua primeira versão em 2005, mas restringida à parte arqueológica mais antiga da História de Tavira, isto é, anterior à conquista portuguesa.

A hipótese de realização desse primeiro atlas só foi possível graças aos trabalhos arqueológicos que ocorreram em Tavira desde 1998, que permitiram desvendar a chave da origem da cidade e a sua relação com os demais núcleos de ocupação urbana, nomeadamente com o Cerro do Cavaco e o sítio de Balsa Romana.

O conhecimento de Tavira Islâmica teve também nesta fase um desenvolvimento extraordinário, em que a arqueologia se associou a estudos especializados das fontes árabes medievais.

Last but not least, a cidade e o território de Balsa foram, pela primeira vez, objecto de um estudo sistemático por parte do proponente do projecto, ao longo de vários anos, que culminou numa primeira síntese da história do urbanismo e da ocupação territorial da região na Época Romana. Esta síntese inclui o actual sítio de Tavira, que teve também um estudo independente.

As descobertas do Atlas de Pedro Teixeira e da Planta de Tavira de Leonardo de Ferrari - que o proponente teve o privilégio de integrar na historiografia urbana de Tavira - e as sequelas do estudo sobre Tavira Romana levaram a um ambicioso estudo analítico da cartografia histórica da cidade, entre os séculos XVI e XX, que inclui, além da Planta de Ferrari, as três Plantas de Sande Vasconcelos e a Planta Militar de 1913.

A incorporação destes estudos no plano original, incluindo a interpolação por reconstituição da urbe de Tavira medieval em 1400, amplia o âmbito cronológico do Atlas, que passa a integrar o período português de Tavira até meados do séc. XX.

É esse projecto mais abrangente que agora se apresenta nesta proposta, juntamente com dois estudos anexos.

Um deles consiste na merecida divulgação pública do trabalho sobre a História urbana de Tavira levado a cabo pelos arquitectos José Lamas e Carlos Duarte ("Evolução da estrutura urbana" in Plano de reabilitação e salvaguarda do centro histórico de Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 1985, p. 40-58) que o proponente se propõe actualizar a partir de um redesenho do original, sem por isso atraiçoar o seu espírito.

O segundo estudo aborda a história dos eixos de travessia do Gilão, desde a Época Romana à actualidade, no contexto das redes viárias de cada período e na sua relação com os sistemas defensivos e o crescimento urbano de Tavira a partir do séc. XII.

Resta concluir que este projecto seria de concretização virtualmente impossível sem a cedência graciosa - ao longo destes últimos anos - de documentação cartográfica, fotográfica, arqueológica e topográfica da Câmara Municipal de Tavira ao CAT.

Plano da Obra


Prefácios

Introdução

1ª Parte. Síntese
Síntese da história urbana de Tavira: Épocas históricas, conjunturas políticas, lugares centrais e mudanças de localização: das origens a meados do séc. XVI.

2ª Parte. Metodologia
Modelos de corografia urbana. Organização e diferenciação dos elementos do espaço urbano. Legendas e chaves interpretativas das plantas urbanas, da Proto-História a meados do séc. XX.
Teoria da reconstituição urbana. Os casos de Tavira Fenícia, Balsa Romana e Tavira islâmica.
3ª Parte. Atlas
O lugar natural de Tavira
Tavira Fenícia e Turdetana (séc. VIII a IV AC)
Cerro do Cavaco (séc. III AC a I AC)
Balsa Romana (séc. I AC a IV)
Tavira Romana, Tardo-Antiga e Alto-Medieval (séc. I a XI)
Tavira Islâmica (séc. XII e XIII)
Tavira medieval portuguesa (c. 1400)
Tavira renascentista (c. 1550)
A foz do Gilão e o porto de Tavira no séc. XVII
Tavira do Antigo Regime (c. 1800)
Tavira do Liberalismo (1913)
Tavira do Estado Novo (c. 1966) (opcional)
4ª Parte. Documentos cartográficos
Planta de Tavira, de Leonardo de Ferrari
Borrão da Planta de Tavira, de Sande Vasconcelos
Planta de Tavira, de Sande Vasconcelos
"Carta Parietal", de Sande Vasconcelos
Planta Militar de 1913
5ª Parte. Anexos
Cronologia da história de Tavira: sinopse
As igrejas de Tavira: sinopse (opcional)
O estudo de Lamas e Duarte. Uma actualização
A travessia do Gilão e os eixos viários de Tavira, da Época Romana à Actualidade
Glossário
Índices: toponímico, etc.
Bibliografia e créditos

Bibliografia do autor

Relativa ao Atlas Histórico de Tavira


PROJECTO DE ATLAS HISTÓRICO DE TAVIRA
2003-7    http://arkeotavira.com/arqueologia/tavira/atlas/TAVIRA.pdf

MODELO DE SÍNTESE DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS LUGARES CENTRAIS DA REGIÃO
2007    Balsa, Cidade Perdida, pág. 41
2008    Balsa, Cidade Perdida (Exposição). Painel nº 3

ESTUDOS DE POVOAMENTO, NAVEGAÇÃO E GEOGRAFIA RELIGIOSA DA REGIÃO
2003    Geografia urbana de Tavira antes da conquista portuguesa. Fronteiras da discussão no Campo Arqueológico de Tavira, inédito
2004    O Culto de Baal em Tavira, Huelva Arqueológica (nº 20) (em colaboração com Maria Garcia Pereira Maia)
2004-5    O Monte Figo. Santuário de Baal, Zéfiro e São Miguel. Geografia marítima e religiosa da laguna algarvia, inédito
2006    http://imprompto.blogspot.com/2006/08/monte-figo-ii-navegao-no-golfo.html
2006    O Monte Figo – Santuário, http://imprompto.blogspot.com/2006/08/monte-figo-i-o-santurio.html

Estudo do Atlas de Pedro Teixeira Albernaz, de 1634
2006    Síntese e edição digital da parte portuguesa. http://www.arkeotavira.com/Mapas/Texeira/
2009    Transcrição da memória descritiva. Parte do Algarve. http://imprompto

ESTUDOS DE RECONSTITUIÇÃO URBANA E TERRITORIAL
Fisiografia natural da bacia do Séqua-Gilão
2003    http://www.arqueotavira.com/arqueologia/tavira/atlas/TaviraFI.pdf
Tavira Fenícia e Turdetana
2003    http://www.arqueotavira.com/arqueologia/tavira/atlas/TaviraFI.pdf
2003    Tavira, Território e Poder, Câmara Municipal de Tavira, Museu Nacional de Arqueologia; p. 64
Tavira Islâmica: Fases de amuralhamento
2003    http://www.arqueotavira.com/arqueologia/tavira/atlas/TaviraII.pdf
2003    Tavira, Território e Poder, Câmara Municipal de Tavira, Museu Nacional de Arqueologia; p. 157
Cerro do Cavaco
2005    Tavira Romana: detalhe do Mapa B
2007    Balsa, Cidade Perdida, pág. 25
Balsa Romana
2004    Atlas de Balsa: http://www.arkeotavira.com/balsa/atlasb/index.html
2005-7    Balsa, cidade perdida. Versão digital: http://www.arkeotavira.com/balsa/bcp-v1/
2007    Balsa, cidade perdida, Campo Arqueológico de Tavira e Câmara Municipal de Tavira
2008    Balsa, cidade perdida. Memória da cidade romana de Balsa (Luz de Tavira). Exposição Fev-Mar 2008, Casa José Pilarte, Tavira Conteúdos: http://www.arkeotavira.com/balsa/expo-2008/
O sítio de Tavira nas épocas Romana, Tardo-Antiga e Alto-Medieval
2005    Tavira Romana. A ocupação da zona de Tavira na Época Romana. Geografia histórica do povoamento, rede viária e sacralização do território: Tavira Romana: http://www.arqueotavira.com/balsa/tavira/

ESTUDOS DE CARTOGRAFIA E MORFOLOGIA URBANA DE TAVIRA
Estudo da planta de Tavira, Leonardo di Ferrari
2008    Noticia e planta analítica: http://www.arkeotavira.com/Mapas/Ferrari/noticia-tavira-ferrari-net.pdf
2009    A morfologia urbana de Tavira Quinhentista, inédito
Estudo da obra cartográfica de José de Sande Vasconcelos (c. 1800)
"Planta da cidade de Tavira" de Sande Vasconcelos
2006    http://arkeotavira.com/Mapas/Sande/Mapa-Sande.htm
2008    http://www.arkeotavira.com/Mapas/Sande/Sande-netok.pdf
2008    http://imprompto.blogspot.com/2008/05/planta-da-cidade-de-tavira-em-finais-do.html
"Borrão do Alçado da Planta de Tavira", Sande Vasconcelos
2010    Planta analítica incompleta: http://imprompto.blogspot.com/2010/01/alcado-da-planta-de-tavira-finais-sec.html
Cidade de Tavira e seus arredores ("Carta Parietal")
2010    Estudo analítico em curso
Planta militar de 1913
2010    Planta analítica incompleta: http://imprompto.blogspot.com/2010/01/planta-de-tavira-1913.html

Estudos inéditos 
O modelo de evolução urbanística de Lamas e Duarte. Uma actualização

A travessia do Gilão e os eixos viários de Tavira, da Actualidade à Época Romana
Geografia Histórica de Tavira antes de Portugal. Introdução à geopolítica do Algarve Oriental na Antiguidade, da colonização fenícia ao domínio islâmico.
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