Wednesday, November 11, 2009

Carta Agrícola e Corográfica


A
Carta Agrícola e Corográfica
, dita de Gerardo Pery, seu organizador, constitui um documento geográfico insubstituível na reconstituição do território pré-industrial do nosso país, nomeadamente na região do Alentejo, onde se localizam a maioria das cartas publicadas.

O momento do seu levantamento (última década do século XIX) corresponde a um período de relativa divisão da propriedade alentejana, em que, aos compradores dos morgadios extintos e dos bens de mão morta, se juntam grandes quantidades de enfiteutas e proprietários, lavradores independentes.

O resultado traduz-se cartograficamente por uma riquíssima divisão fundiária e, sobretudo, por uma numerosa toponímia de courelas e herdades. Grande parte desta toponímia desaparece ou transforma-se durante os cinquenta anos seguintes graças a uma progressiva concentração da propriedade. A sua presença permitirá identificar numerosos locais de origem romana-moçarabe, islâmica-árabe e próprios dos diferentes períodos da ocupação portuguesa. Fornecerá igualmente importantes informações sobre a ocupação coeva do território e os seus sistemas sociais, económicos e culturais.

Trata-se dum período anterior à grande extensão da cultura cerealífera, que teve o seu apogeu na primeira metade do século XX. Como consequência, representam-se ainda as manchas culturais anteriores a esta monocultura, susceptíveis de permitir uma reconstituição da ocupação do solo dos séculos imediatamente anteriores. São sobretudo relevantes as áreas de incultos, matos, pastagens naturais e pousios e de essências florestais. Por outro lado, o carácter da ocupação do solo perto dos assentamentos populacionais fornecerá importantes elementos para o conhecimento do povoamento e dos sistemas agrícolas.

Mais importante ainda, a rede viária representada é ainda fundamentalmente a herdada do período medieval e mesmo anterior, com excepção de zonas bem caracterizadas. Nem os caminhos e estradas da mecanização e da cerealicultura foram ainda abertos nem as próprias do trânsito automóvel, todas elas características da primeira metade e, por vezes, do início da segunda metade do século XX. São especificamente valiosos os cruzamentos, passagens fluviais e portelas, que representarão muitas vezes pontos notáveis de eixos viários muito anteriores. Os percursos rectilíneos - garantidamente antigos porque anteriores ás rectificações próprias da motorização - poderão também ajudar à identificação de traçados do período romano.

Para além da sua importância histórica, arqueológica, geográfica, económica, agronómica e antropológica, a carta é constituída por folhas de grande valor estético e técnico, que serão indiscutivelmente do agrado dos amantes e profissionais da cartografia.

A Carta Agrícola e Corográfica de Gerardo Pery tem permanecido desconhecida e sobretudo inacessível a gerações de investigadores do território e ao público culto e interessado.

À indisponibilidade associa-se a sua pouca maleabilidade. Tratando-se de documentos relativamente raros e frágeis, não é possível manipulá-los directamente e é dispendioso e difícil reproduzi-los eficazmente. A junção de folhas para visões de conjunto torna-se assim praticamente impossível, para além de serem raros os locais que possuem ou disponibilizem a sua colecção completa.

Trata-se porém de um documento histórico essencial, que faz parte do património do país e, sobretudo, das privilegiadas zonas que tiveram a sorte de ter sido contempladas com uma folha publicada. É sobretudo o caso da Região do Alentejo (com 34 folhas) e, em muito menor grau, do Alto Douro (4 folhas), do Algarve (2 folhas parciais) e a Beira Litoral (1 folha).


Ficha técnica

Título

Carta agrícola de Portugal na escala de 1:50.0000 e outras.

Também designada por Carta Agrícola e Corográfica de Portugal

Editor

Direcção geral de Agricultura.

Data de publicação

Entre 1890 e 1908

Apresentação original

Folhas com 40 x 50 cm, a cores.

As cartas na escala 1:50.000 representam uma superfície de 20 km de largura por 25 km de altura.

As cartas na escala 1:25.000 representam uma superfície de 10 km de largura por 12.5 km de altura.

A qualidade do papel e, sobretudo das cores, varia muito conforme as folhas.

Conteúdo corográfico

Curvas de nível com equidistância de 25 metros e pontos cotados

Marcos topográficos de 1ª e 2ª ordem

Toponímia corográfica e fundiária

Fisiografia

  • Rochedos e escarpas
  • Areais
  • Lodos
  • Marinhas de sal

Hidrografia

  • Rios, ribeiras e linhas de água
  • Lagoas
  • Canais e levadas
  • Aquedutos

Recursos hídricos

  • Fontes e nascentes
  • Águas minerais
  • Estabelecimentos termais

Transportes e comunicações

  • Pontes de pedra ou de ferro
  • Pontes de madeira para carros
  • Pontes para cavalgaduras
  • Estradas construídas
  • Caminhos
  • Caminho de ferro
  • Faróis

Povoados

  • Cidades e vilas fortificadas
  • Cidades, vilas e aldeias
  • Casas isoladas

Estabelecimentos industriais

  • Azenhas
  • Moinhos de vento
  • Fornos de cal
  • Mina em exploração

Igrejas

  • Sedes de freguesia em povoação
  • Sedes de freguesia isoladas
  • Capelas e ermidas

Estabelecimentos militares

  • Redutos e torres
  • Castelos e fortes
  • Entrincheiramentos
  • Muralhas e muros

Divisão administrativa

  • País
  • Distrito
  • Concelho
  • Freguesia

Limites de propriedades

Limites e zonas de culturas

Culturas arvenses

Culturas hortícolas

Culturas industriais

Hortas e pomares

Arrozais

Vinhas

Vinha com olival

Vinha com pomar

Pomares de sequeiro

  • Olivais
  • Olivais novos, sem produção
  • Figueiras
  • Alfarrobeiras
  • Amendoeiras
  • Arvoredo frutífero diverso
  • Alfarrobeiras com oliveiras
  • Figueiras com amendoeiras

Montado

  • Chaparral
  • Azinho
  • Azinho com sobro
  • Sobro
  • Azinho com olival
  • Azinho com sobro e olival

Essências florestais

  • Carvalhais
  • Soutos de castanheiros
  • Pinhais
  • Matas de diversas essências

Pastagens

  • Prados artificiais
  • Prados naturais
  • Pastagens naturais em pousios

Incultos

  • Charnecas e matos
  • Terrenos improdutivos

Folhas publicadas conhecidas

Na escala 1:50.000

159 Setúbal

160 Cabrela, Vendas Novas

161 Montemor-oNovo

163 Évora

164 Redondo

167 Cabo Espichel

168 Sesimbra

169 Estuário do Sado (Comporta)

170 Alcácer do Sal

171 Torrão

172 Alcáçovas,(Viana do Alentejo

173 Oriola

176 Granja (Mourão)

177 Melides

178 Grândola

179 São Mamede

180 Ferreira do Alentejo

181 Cuba

182 Marmelar, Brinches

183 Moura

184 * Amareleja

185 * Barrancos

186 Sines

187 São Domingos, São Bartolomeu

188 Alvalade

189 Aljustrel

190 Beja

191 Serpa, Baleizão

192 Aldeia Nova de São Bento, Pias

193 Vila Verde de Ficalho

194 Vila Nova de Mil Fontes

196 Garvão

201 São Teotónio, Odeceixe

206 Vaqueiros, Martinlongo

* Ainda não disponível na presente colecção

Na escala 1:20.000

39-50 * Mesão Frio

Por a folha não estar disponível e ser o único exemplar publicado nesta escala, desconhecem-se as sua dimensões e localização.

* Ainda disponível na presente colecção

Na escala 1:25.000

40 D Pinhão

51 A Adorigo, Armamar

51 B Ervedosa, Tabuaço

52 A São João da Pesqueira

84 C Alfarelos, Granja (Montemor-o-Velho)

Sem escala

Folha de legenda

Mapa de Junção das Folhas

Localização das folhas publicadas

As folhas a cinzento não estão ainda disponíveis. A folha 39-50 não está representada.


Bibliografia

A utilização do solo, das cartas de G.Pery (fins do século XIX) a meados do século XX

Mariano Feio

in A evolução da agricultura do Alentejo meridional, pp. 9 a 70.

Edições Colibri, Lisboa, 1998

Bibliografia geográfica de Portugal

Hermann Lautensach

Adaptação e complementos de Mariano Feio

Instituto para a Alta Cultura, Centro de Estudos geográficos, Lisboa, 1948

Pág. 23

Boletim da Direcção Geral de Agricultura, VI, nº 13

Lisboa, 1894

Le Portugal Méditerranéen à la fin de l'Ancien Régime

Albert Silbert

Instituto Nacional de Investigação Científica, Lisboa, 1978

A evolução agrária no Portugal Mediterrâneo

Orlando Ribeiro

Centro de Estudos Geográficos, Lisboa, 1970

O espaço medieval da Reconquista no Sudoeste da Península Ibérica

João Carlos Garcia

Centro de Estudos Geográficos, Lisboa, 1986

Através dos campos. Usos e costumes agrícolo-alentejanos (concelho de Elvas)

José da Silva Picão

Elvas, 1903

Materiais para a história da questão agrária em Portugal - Séc. XIX e XX

Selecção, prefácio e notas de Manuel Villaverde Cabral

Inova, Porto, 1974

Estatística agrícola no Districto de Beja

Parte I - Concelho de Beja, 1883

Parte II - Concelho de Cuba, 1883

Parte III - Concelho de Alvito, 1885

Parte IV - Concelho de Vidigueira, 1885

Gerardo Augusto Pery

Imprensa Nacional, Lisboa

Le Portugal Inconnu I: Paysans, Marins et Mineurs

Léon Poinsard

La Science Sociale Nº 67-68, Bureaux de la Science Sociale, Paris, 1910

Versão Digital

Resolução 300 dpi

Cor 24 bits

Folhas clarificadas para permitir a leitura da toponímia sobre manchas mais escuras

Orto-rectificação gráfica: ajustamento do ângulo de digitalização (rotação inferior a 0.01graus) e da distorção do papel (flecha na maior aresta inferior a 1 mm)

Geo-referenciação sobre a carta militar 1:25.000 em coordenadas Hayford-Gauss referentes ao centro geográfico de Portugal Continental (erro médio inferior a 1 mm nos três quartos centrais das folhas, equivalente a 50 m no terreno).

Dimensão normalizada das folhas: 3152 x 3940 pixels

Formato gráfico: GEO-TIFF não comprimido com World File associado.

Folha de legenda com cores e sinais convencionais


FOLHA 170. Alcácer do Sal


Carta Agrícola e Corográfica de Portugal (Dir. Gerardo Pery) 1890-1905; Folha 170 Alcácer do Sal

FOLHA 190. Beja



Carta Agrícola e Corográfica de Portugal (Dir. Gerardo Pery) 1890-1905; Folha 190 Beja

Monday, November 02, 2009

Epigrafia romana da Quinta de Marim (Olhão, Algarve)

Apêndice do estudo "Marim Romano"

IRCP

(a)

Tipo

(b)

Lugar de achamento e notas

Época

Séc. EC

Inscrição

Localização actual

Texto

Nomes

Sexo

Idade

Anos

Meses

Dias

38

A

Lugar de achamento indeterminado.

A atribuição a Marim baseia-se na semelhança com outras lápides desta proveniência [IRCP: 82 n. 1]

Trans.

II-III

AEMILIA / SATVRNINA V(ixit) A(nnis) LX/IIII M(ensibus) VI D(iebus) XVII / S(it) T(ibi terra) L(evis)

Aemilia Saturnina

F

64

6

7

MNA E 6416

40

A?

Na parede da torre medieval de Marim: "Inter Pharum & Tauillam in turri, quam vocant Marini cippus" [AL fl. 184 e p. 187]

II

D(is) M(anibus) S(acrum) / C(aius) ANNIVS / ROMVLVS / ANNORVM / XXVIII / H(ic) S(itus) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Caius Annius Romulus

M

28



Desconhecida

41

C

"Inter sepulcrorum multorum rudera" juntamente com as lápides nº 44 e 53 [CIL II 5145 - Estácio da Veiga - apud SL: 290 nº 17]

III

D(is) M(anibus) S(acrum) / AVINTINA / VIXIT ANN(is) / XXXV PA/TROCLVS / MERENTI / POSVIT H(ic) S(ita) E(st) (sit tibi) T(erra) L(evis)

Avintina

F

35



MNA E 6399

Patroclus

M

Dedicante

42

A peq.

Nas ruínas de um templo [IRCP:86 e ARA:251 nº 4; apud ?]

2ª ½ II

D(is) M(anibus) S(acrum) / CALEMERA / VIX(it) ANN(is) XXVIIII /MENS(ibus) VIIII D(iebus) X / H(ic) S(ita) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Calemera

F

29

9

10

MNA E 6410

43

E-F?

Sobre uma sepultura de quatro pessoas [IRCP:87]

2ª ½ II

D(is) M(anibus) S(acrum) / CHRYSANTVS / VIXIT / ANN(is) XXII M(ensibus) II / H(ic) S(itus) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Chrysantus

M

22

2


MM Olhão

[Verificação pessoal]

44

C

Idem lápide IRCP nº 41

Trans.

II-III

D(is) M(anibus) S(acrum) / DIODORA VIX(it) / ANN(is) XXV / / H(ic) S(ita) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Diodora

F

25



MNA E 6401

45

E-FT duplo

Necrópole menor escavada por Santos Rocha(c)

[SRO: 172 e fig. 4 p. 175]

Trans.

II-III

D(is) M(anibus) S(acrum) / DIONY/SIANVS / VIX(i)T / ANN(is) / XXXVIIII D(ic) V(iator) / DINITL / TTBL

Dionysianus

M

39



MM Figueira

da Foz

D(is) M(anibus) S(acrum) / MARITIM/A VIX(i)T / ANN(is) XXV D(ic) V(iator) D / INITL / TTBL

Maritima

F

25



46

C

"Inter sepulcrorum multorum rudera"

[CIL II 5149 – Hübner apud SL:292 nº 20]

trans.

II-III

D(is) M(anibus) S(acrum) / HIRINIANA / VIX(it) / ANN(is) LII / MINS(ibus) II D(iebus) IIII / S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Hiriniana

F

52

2

4

MNA E 6398

48

A

"Inter sepulcrorum multorum rudera"

[CIL II 5152 – Hübner apud SL: 293 nº 22]

II

D(is) M(anibus) S(acrum) / MONTANVS / VIXIT / ANN(is) XXXIII / MENSIB(us) II DIEB(us) VII / S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Montanus

M

33

2

7

MNA E 6413

49

E-FT

Necrópole menor escavada por Santos Rochab

[SRO: 171 e fig. 3 p. 174]

Trans.

II-III

D(is) M(anibus) S(acrum) / PATRICIA VI/XIT ANNIS XI / D(iebus) IIII

Patricia

F

11


4

MM Figueira

da Foz

D(is) M(anibus) S(acrum) / PATRICIVS VI/XIT ANNIS XLIII M(ensibus) III D(iebus) X/IIII PISPI

Patricius

M

43

3

14

50

C

Na parede da torre medieval de Marim

[CIL II 5143 – Estácio da Veiga apud SL: 289 nº 16]

III

D(is) M(anibus) S(acrum) / ET PATRICIAE / VIXIT ANN(is) / XXV MENS(ibus) / VII DIEB(us) VIIII / STB TRIBS

Patricia

F

25

7

9

MNA E 6387

51

E-FT

Necrópole menor escavada por Santos Rocha(c)

[BO: 25, 26 nº 42]

II

[D(is) M(anibus) S(acrum)]? / PAVLLIANVS VIX(it) / AN(nis) XVI M(ensibus) V / S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Paullianus

M

16

5


MM Faro

52

E-FT

Necrópole menor escavada por Santos Rocha(c)

[BO: 25, 26 nº 41]

2ª ½ II

D(is) M(anibus) S(acrum) / P[R?]O[T?]YPVS / V(i)X(it) AN(n)IS [LX?] MENS(ibus) VII D(iebus) V/III H(ic) S(situs) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis) / MERENTIS/SIM/O

P[r]o[t]ypus

M

60?

7?

8

MM Faro

DŸMŸ SŸ / C...OS IVLIANVS / VX ANNISŸXVŸ / MENSŸVIIŸDŸX / III EREXITŸBŸ / MERENTIS / I ŸMŸ [Leitura de Pereira Boto, em BO 26 nº 41]

C..os Iulianus

15

7

13

53

E-SC?

Idem lápide IRCP nº 41

II

D(is) M(anibus) S(acrum) / TROILVS / VIXIT AN(nis) XXX / ME(n)S(ibus) IIII / H(ic) S(itus) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Troilus

M

30

4


MNA E 6386

54

E-FT

Necrópole menor escavada por Santos Rocha(c)

[BO: 25 nº 40]

Finais II

D(is) M(anibus) S(acrum) / TYCHE VIXIT / ANNIS XX M(ensibus) II / H(ic) S(ita) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Tyche

F

20

2


MM Faro

D(is) M(anibus) S(acrum) / HERENNIANVS / VIXIT ANNIS / XXV M(ensibus) III / H(ic) S(itus) E(st) S(it) T(ibi) T(erra) L(evis)

Herennianus

M

25

3


X1

CI

Encontrada do lado norte da EN 125, em frente da Quinta de Marim, em 1986 [IRCPA: 101], juntamente com outros materiais não especificados, aquando da construção da nova ponte sobre a Ribeira de Marim. [MA: 13].

2ª ½ II

D(is) M(anibus) S(acrum) / FABIA C(aii) F(ilia) / MACIA/ECA [?] AN(norum) / XXXXII / H(ic) S(ita) E(st) S(it) T(ibi) / T(erra) L(evis)

[Leitura de José d'Encarnação em IRCPA: 101-102]

Fabia Macia[eca?]

F

40



MM Olhão

[Verificação pessoal]

Caius Fabius

M

Pai

X2

C

Descrição original em MA: 9-12.

Encontrada num montão de pedras retiradas da zona da necrópole maior, juntamente com fragmentos de mais duas lápides (uma paleocristã e outra não identificada) e uma base e vários fustes de colunas. [MA: 9]

1ª ½ III

D(is) M(anibus) S(acrum) / LEONE / ... AN(norum) / ...

[Leitura de José d'Encarnação a partir de MA: 10, a pedido do autor]

Leone

M




Desconhecida.

Colecção particular?

X3

E

Descrição original em ZIM.

Muito provavelmente encontrada na localização de X1 ou de X2 (juntamente com uma nova placa de mármore paleocristã, também descrita em ZIM).

III

D M S PARTICE / VIXSIT ANNIS / XXXI MESES VI / DIES XXVIII / MERITA MA/RITO

FECIT / [ - - - ]..TL

[Leitura de Nikolaus Zimmermann em ZIM: 260]

Partice

(por Patricius ou Parthicus)

M

31

6

28

Colecção particular

Merita

F

Esposa

Notas suplementares
a
Segue-se a numeração de IRCP para as lápides incluídas nesta obra e um número sequencial Xn para as descobertas posteriormente.
A informação corresponde à de IRCP, excepto se referido em contrário.
b
A: Ara ou cipo; C: Cupa; E: Estela; FT: Frontão triangular; SC: Frontão semicircular; CI: Cipo.
c
"Cipos" reutilizados como tampa da sepultura identificada na nota e) da planta deste autor [ARA II: fig. extra texto entre pp. 280 e 281], em que se individualizam quatro estelas deitadas, de frontão triangular (uma delas com uma dupla inscrição, correspondente a IRCP 49) e uma estela dupla (invertida, em posição vertical), que corresponde a IRCP 45.

Abreviaturas bibliográficas
AL
RESENDE (1593)
ARA II
SANTOS (1972)
BO
BOTO (1896)
DG
DIAS & GASPAR (2006)
GRA
GRAEN (2008)
HU
HÜBNER (1895)
IRCP
ENCARNAÇÃO (1984
IRCPA
ENCARNAÇÃO (1986)
MA
MASCARENHAS (1993)
SL
LAMBRINO (1962)
SRO
ROCHA (1897)
ZIM
ZIMMERMANN (2008)

Imagens de algumas das lápides


IRCP 43. Chrysantus

IRC 44. Diodora

IRCP 45. Dionysianus e Maritima

IRCP 48. Montanus

IRCP 49. Patricia-Patricius

IRCP 50. Patricia

IRCP 51. Pauliannus

IRCP 52. Protypus

IRCP 53. Troilus

IRCP 54. Tyche-Herennianus
X1. Fabia
X2. Leone

X3. Partice


Wednesday, October 28, 2009

Léxico arquitectónico em Plínio-o-Jovem

Epistolae 2. XVII e 5.VI

Texto original latino em: http://www.thelatinlibrary.com

Étimo

Tradução

EPISTOLAE

§ do texto latino

2. XVII.

5.VI.

Ambulatio

Passeio


17,40

Apodyterium

Vestiário de um balneário


25,27

Apotheca

Despensa. Sotão de armazenamento de víveres que necessitam arejamento seco

13


Area

Pátio

4,5

25

Areola

Pequeno pátio


20,21

Atrium

Átrio romano

4,5

15

Balineum

Balneário, Banhos

11,26

25,27

Baptisterium

Tanque de imersão

11

25

Bibliotheca

Biblioteca

8


Cavaedium

Pátio interior

5


Cella

Sala fechada

11

25,26

Cella frigidaria

Sala de banhos de água fria

11

25

Cenatio

Sala de jantar

10

21

Chianti

Sala de jantar (?)

12,15


Circus

Hipódromo


17

Cotidiana amicorumque cenatio

Sala de jantar informal dos hóspedes


21

Cryptoporticus

Galeria coberta com paredes. Porticum com paredes, que podem ter aberturas.

16,17,19,20

27,28,29,30,31

Cubiculum

Quarto

6,7,8,10,13,20,
21,22,23

21,22,23,24,28,
30,31,37,38,40

Cubiculum cum procoetone

Quarto com antecâmara

10


Cubiculum in hapsida curvatum

Quarto em abside

8


Cubiculum noctis et somni

Quarto de dormir

22


Diaeta

Salão de estar ou apartamento ou pavilhão

12,15,20,24

20,21,27,28,31

Dormitorium cubiculum

Quarto de dormir


21

Dormitorium membrum

Divisão de dormitório. Quarto de dormir

9


Fons

Fonte

25

23,37,40

Fonticulus

Pequena fonte


23,40

Gestatio

Campo de treino e exercícios físicos

13,14,15,18

17

Gymnasium

Ginásio coberto

7


Hapsida

Abside

8


Hibernaculum

Apartamentos de Inverno

7


Hippodromus

Hipódromo, ou jardim e passeios em forma de hipódromo


19,28,32,33,40

Horreum

Armazém

13


Hortus

Horta, Jardim

13,15,16,18,20,
22


Hypocauston

Hipocausto. Galeria técnica sob o pavimento ou entre as paredes, onde circula o calor e o fumo proveniente duma fornalha.
Num balneário pode ser o espaço equivalente ao tepidarium.

11,23

25

Labrum

Bacia ou pia


20

Maceria

Muro


17

Membrum

Divisão de casa

9

15

Piscina

Piscina de natação

11

23,25

Porticus

Alpendre ou galeria suportada por colunas

4,5

15,16,19,20,21,
23, 31

Procoetone

Antecâmara

10,23


Propnigeon

Sala da fornalha. Há quem interprete o termo como sinónimo de Tepidarium

11


Pulvinus

Platibanda. Muro de suporte a rematar terraço ou plataforma


16

Puteus

Poço

25

14,25

Scalae

Escadas


27,30

Silva

Bosques, floresta

3,5,21,26


Sphaeristerium

Campo de jogos com bolas

12

27

Stibadium

Cama de mesa semicircular, de uso exterior na época de Plínio


36,37

Subterraneum

Galeria subterrânea

30


Tectum

Construção coberta

14,24,27

32,39

Triclinium

Salão de jantar com três camas de mesa dispostas em forma de U.

5,7,13

19,23,29,30,31

Turris

Torre

12,13


Unctorium

Sala de limpeza corporal num balneário

11


Vestibulum

Vestíbulo, Entrada

15


Villa

Villa. Área edificada e recintos anexos

1,3,12,15,21,24,
26,27,28

14,19,28,44

Xystus

Terraço pavimentado

17,18,20

16,19,23

Zotheca

Alcova

21


Zothecula

Pequena alcova


38


Tuesday, October 06, 2009

Marim Romano. Um novo resumo

Reconstituição topográfica e funcional do sítio arqueológico da Quinta de Marim (Olhão, Faro) e elementos da sua história territorial

Historiografia romana da Quinta de Marim (extracto do prefácio)

O sítio arqueológico de Marim (Quelfes, Olhão, Faro) é um dos mais importantes do Algarve romano e um dos mais referenciados na literatura especializada. É referido pela primeira vez em 1593, por André de Resende, numa notícia relativa a uma inscrição epigráfica[1]. Em 1607 Fernandes Sarrão descreve o sítio como sendo "de muitas antigualhas, de muitos mármores, com muitas letras" na sua História do Reino do Algarve[2].

Praticamente destruído desde a sua exploração muito sumária por Estácio da Veiga e Santos Rocha, respectivamente em 1877 e 1894[3], tornou-se notório por uma colecção invulgar de epigrafia funerária – sobretudo romana mas também paleocristã –, por algumas plantas esquemáticas de vestígios importantes da época romana e pelo achamento de um tesouro monetário de inícios do séc. V, noticiado em 1786 sem deixar rasto posterior.[4] Os objectos provenientes dessas explorações fazem hoje parte dos acervos do Museu Nacional de Arqueologia e dos museus municipais de Faro e da Figueira da Foz.

Ao longo do séc. XX, antiquários e arqueólogos amadores recolheram aí objectos, de que há escassas notícias até 1986[5] e dos quais só uma pequena parte ficou à guarda dos museus de Olhão e Moncarapacho.

Em 1988-9 a equipa de Tavares da Silva realizou a primeira intervenção arqueológica científica no local, numa fábrica de salgas entretanto descoberta, intervenção que permanece ainda a mais importante até à data[6].

Em 1990 Cristina Garcia explorou um novo sítio na vizinhança, com um tanque de salgas. Em 1995 a Carta Arqueológica de Portugal publicou a primeira localização topográfica do sítio e a notícia de um tanque de salgas inédito[7].

Em 2002-3 Graen reescavou as fundações do templo romano referido por Estácio da Veiga, revelando novos elementos arqueológicos e objectos inéditos de colecções particulares[8],cujo estudo só foi publicado muito recentemente[9].

Do espólio arqueológico recolhido no séc. XIX destaca-se a epigrafia romana já referida, que foi objecto de estudo por diversos autores, com realce para Encarnação[10]. Desde a publicação em 1984 da sua obra "Inscrições Romanas do Conventus Pacensis até hoje, o número de inscrições romanas provenientes de Marim cresceu de 15 para 19. A epigrafia paleocristã, com três inscrições, teve também uma releitura e resenha bibliográfica recentes, da autoria de Alves Dias[11].

Outros materiais arqueológicos têm sido estudados por diversos autores[12]. Inclui-se nesta 2ª edição um estudo inédito de Lídia Fernandes sobre um capitel romano[13, realizado a pedido do autor.

Entre os estudos sobre Marim sobressaem: a interpretação socioeconómica da epigrafia por Encarnação[14]; a análise de Tavares da Silva sobre a geoeconomia de Marim romano[15] e a obra de Lagóstena Barrios sobre a economia dos produtos piscícolas na Hispania[16]– com numerosas referências a Marim.

O restante conhecimento do sítio deve-se a comentários interpretativos de diversos autores, mais ou menos fundamentados e repetidos, tendo-se gerado uma copiosa bibliografia: o "Levantamento arqueológico-bibliográfico do Algarve regista 108 referências de 37 autores relativas a Marim nos cento e vinte anos entre 1866 e 1986[17]. Mais recentemente, os templos de Milreu e Marim têm um lugar destacado em dois estudos sobre esse tipo de edifícios[18]. Outro estudo e catálogo sistemático recente das grandes villae tardias da Hispania também inclui Marim[19]. Dois outros catálogos descrevem o balneário[20]. Destaca-se o de García-Entero, de âmbito peninsular, por apresentar pela primeira vez uma validação da sua função relativamente à planta de Estácio da Veiga, considerando paralelos hispânicos.

O verbete publicado em 2006 no Diccionario Akal de la Antigüedad Hispana, sintetiza bem o deficiente estado do conhecimento geral sobre Marim:
"Complexo de ruínas, que, como outros no Sul de Portugal, foi escavado no séc. XIX e não tem uma atribuição clara a uma villa romana, no sentido tradicional desta. Reúnem-se, dentro de uma extensão considerável de terreno, dependências industriais, umas termas de boa construção, casas de habitação que tiveram mosaicos, etc. A isso adicionam-se mais de catorze estelas funerárias, pertencentes a duas necrópoles. O material arqueológico recuperado aponta para uma intensa actividade agrícola e industrial (ânforas de garum, dolia de vinho ou de azeite, etc.). A cronologia é indiferenciada e prolonga-se do séc. I ao séc. V d.C. Há no lugar mostras de cristianização"[21].

De facto a interpretação do sítio está longe de ser unânime: seria a Stacio Sacra referida na "Cosmografia do Anónimo de Ravena", no sentido de igreja paleocristã[22] ou de portus fiscivilla ou vicus[25], uma villavilla agro-marítima[27] ou mesmo uma possível cidade[28].

Lagóstena Barrios, aceitando a sua identificação com a Stacio Sacra, caracteriza o sítio como um núclo secundário, colocando a hipótese de se tratar de uma statio já desde a época alto-imperial, devido aos ricos vestígios que datam desta altura. Considera que as instalações conserveiras se teriam desenvolvido articuladas com as actividades portuária e produtivas do lugar[29].

Dennis Graen aceita também a tese da Stacio Sacra mas baseando-se numa interpretação funerária, pós-romana e páleocristã das plantas de Estácio da Veiga, e na hipotética situação do sítio sobre a via antiga, retomando assim as teses deste autor. São ilações que o presente estudo considera derivarem maioritariamente de permissas inaceitáveis e da datação errada de elementos chave[30]. Esta segunda edição inclui uma crítica às hipóteses de Graen, sem menosprezar a relevância dos novos vestígios descobertos e das hipóteses interpretativas daí decorrentes.

Salvo estas interpretações – de âmbito parcial, demasiado sintéticas ou pouco fundamentadas – Marim nunca foi até agora adequadamente estudado nem objecto de uma restituição arqueotopográfica que pudesse simultaneamente ilustrar a morfologia antiga do lugar, expor o seu perfil funcional e a evolução das grandes fases de ocupação e clarificar a sua posição no quadro territorial do Algarve romano, nomeadamente da sua relação com Ossonoba..

A questão da localização da Stacio Sacra na zona também não teve, até agora, nem um tratamento sistemático nem uma contextualização relativa aos sítios articulados com os eixos viários entre Ossonoba e Balsa, identificados pela reconstituição da corografia antiga.


Marim Romano. Uma nova síntese


A estação arqueológica romana da Quinta de Marim é uma das mais importantes do Algarve e um dos sítios portugueses mais referenciadas na literatura especializada, graças à sua notável colecção epigráfica e ao seu templo-de-galeria.

Corresponde a um povoamento secundário polinuclear, com três centros dispostos ao longo da margem da pequena baía estuarina então existente em frente da barra marítima oriental da laguna de Ossonoba. Os três centros (porto marítimo, villa e fábrica de salgas) individualizam-se dos pontos de vista topográfico, funcional e cronológico:

1. Porto marítimo.

É o núcleo mais importante, com uma cronologia estabelecida entre finais do séc. II e o séc. VI.

Ocupava uma situação portuária estratégica no acesso marítimo oriental à laguna e à cidade de Ossonoba. A sua localização numa baía protegida sobre a barra tornava-o: um porto de escala técnica da navegação de longo curso; um porto de espera de marés da navegação lagunar; e o porto local de acesso mais directo ao santuário do Monte Figo. A combinação destas funções terá estado na origem da construção de amenidades para os viajantes e, muito provavelmente, da criação de um posto de alfândega fiscal e de controlo policial e sanitário.

Os seus elementos arqueológicos mais importantes são:

- Duas fontes-cisternas, talvez sacralizadas, na vizinhança do cais.

- Um pequeno balneário junto de uma edificação importante que poderá ter sido uma estalagem/hospedaria.

- Uma necrópole sob a forma de recinto murado com pátio funerário e dois jazigos-casa, de onde provirá a grande maioria das lápides funerárias romanas associadas a Marim, datáveis aproximadamente entre 180 e meados do séc. III.

A invulgar concentração de lápides funerárias requintadamente esculpidas num recinto funerário cuidado e selectivo – mas com inscrições frustes e associadas a escravos com nomes pretensiosos e a uma elevadíssima taxa de mortalidade precoce das jovens em idade fértil – interpreta-se pela existência de um prostíbulo portuário articulado com um collegium funerário.

O prostíbulo e os seus trabalhadores estariam integrados nas actividades de estalajadaria e banhos, serviços essenciais de recreação e lazer prestados às tripulações e utentes do porto.

A necrópole do porto foi usada como cemitério e talvez como igreja paleocristã, sobretudo na 2ª metade do séc. V, sendo desta época as lápides paleocristãs aí encontradas.

2. Villa agro-marítima.

A sua cronologia estabelece-se entre o séc. I e inícios do V. As partes urbana e fructuaria são mal conhecidas, subsistindo uma planta muito parcial da primeira, que sugere um modelo arquitectónico de villa de peristilo.

A villa corresponde a um fundus que conjecturalmente teria pelo menos 800 hectares e uma frente ribeirinha de cerca de 5 km. Cerca de 90 % das terras teriam uma ocupação equitativa de pinhal e culturas de sequeiro.

Da pars sacra conhece-se um mausoléu senhorial dos sécs. II e III e uma modesta necrópole mais tardia.

Em meados do séc. IV teve um importante processo de reconstrução ou ampliação monumental, em que se destaca um templo-de-galeria semelhante aos de Milreu e S. Cucufate, num estilo arquitectónico designado por romano-céltico, oriundo da Gallia e Britannia. Esta fase de apogeu confirma-se pela frequência máxima da circulação monetária local durante a 2ª metade do séc. IV.

A simplificação arquitectónica e decorativa do templo de Marim relativamente ao de Milreu sugere que se trata de uma cópia posterior e mais modesta deste.

A monumentalização tardia e o achamento de um tesouro de cem solidi não circulados (Honório I, cunhados entre 395 e 402), interpretado como parte de um estipêndio imperial, sugerem que a villa se tornou a residência de um dignitário administrativo e fiscal do porto.

3. Fábrica de salgas (preparados piscícolas e corante de púrpura).

Com instalações industriais, residenciais e um armazém de importação-exportação, pertencia à firma dos Iunii (marca Ivniorum). Configura-se como um pequeno "arraial" num acesso privilegiado aos "pesqueiros de Olhão", com uma cronologia entre finais do séc. II e o terceiro quartel do séc. III.

Os Iunni dispunham de diversos estabelecimentos na costa algarvia, de produção de salgas, contentores cerâmicos e materiais de construção. Possuíam muito provavelmente uma frota pesqueira e de navegação comercial entre o Algarve e o Estreito. Importavam cerâmicas africanas e as suas conservas surgem no Algarve e em lotes exportados para portos do Mediterrâneo Ocidental.

Na vizinhança da fábrica existiam pelo menos dois tanques de salgas isolados, em que pelo menos um deles correspondia a uma exploração autónoma.

A identificação de Marim com a Stacio Sacra – povoação situada entre Ossonoba e Balsa de acordo com a Cosmografia do Anónimo de Ravena – é possível mas pouco provável. Moncarapacho cumpre melhor o perfil adequado e, além disso, o topónimo [*villa] Marini já existiria na época.



As referências bibliográficas são as do texto integral.

[1] Lapide de C. Annius Romulus= IRCP nº 40. AL fl. 184: "Inter Pharum & Tauillam in turri, quam vocant Marini cippus." Cit. por VEIGA (1866): 22 e n. 1. A tradução de Rosado Fernandes omite o topónimo, traduzindo-o erradamente por "Torre Marinha"! (AL: 187).
[2]
SARRÃO (1607): 164
[3]
ROCHA (1897); ARA II, pp. 249-286. Esta última obra tem uma importância ímpar no conhecimento do Algarve romano, não só pela sistematização exaustiva dos achados então conhecidos como, sobretudo, pela publicação das plantas e desenhos de Estácio da Veiga.
[4]
Segundo suppl. à Gazeta de Lisboa nº LXIII, de 27 de Outubro de 1786.
[5]
MASCARENHAS (1993).
[6]
SILVA & SOARES (1992). Estes arqueólogos realizaram outra intervenção em 1989 que não foi continuada, permanecendo os seus materiais inéditos.
[7]
MARQUES (1995): 67-107.
[8]
GRAEN (2005 e 2007).
[9]
GRAEN ET ALII (2008).
[10]
IRCP, pp. 81-101; ENCARNAÇÃO (1986).
[11]
DIAS & GASPAR (2006): 221,224-5.
[12]
Adereços metálicos pós-romanos estudados por ALMEIDA (1962); Fragmentos de cerâmica tardia paleocristã por MAIA (1978) e MACIEL (1996); vestígios biológicos da escavação de Tavares da Silva por ANTUNES & MOURER-CHAUVIRÉ (1992); edícula por RIBEIRO (2002); cerâmicas, moedas e nova epigrafia da intervenção de Graen, respectivamente por Schierl (2008), Kleinschmidt (2008) e Zimmermann (2008).
[13]
Revelado por GRAEN (2007), fig. 10, p. 284 e GRAEN (2008), fig. 3, p. 50.
[14]
ENCARNAÇÃO (1984, 1985, 1991). A questão da origem das lápides teve réplica em MANTAS (1997a).
[15]
SILVA & SOARES (1992): 355-8.
[16]
LAGÓSTENA (2001).
[17]
GOMES E GOMES (1988): 86. Para o período posterior a 1986, a bibliografia do presente estudo indica as referências mais significativas, sem preocupação de exaustividade.
Pela negativa destaca-se apenas a planta publicada por J.G. Gorges, que falseia totalmente a escala e as relações espaciais do sítio de Marim, reduzindo o seu tamanho em mais de 1/3!
A distância entre os núcleos edificados é reduzida em proporção idêntica (35%), surgindo falsamente próximos e dando a ideia enganadora de se tratar de um único aglomerado [GORGES (1979): fig. LXVII. Reproduzida acriticamente por BASSANI (2005): fig. 18 e por CHAVARRÍA (2007): fig. 120, p. 180].
O autor não soube interpretar o desenho de implantação de Estácio da Veiga, em que a escala das edificações é maior que a do terreno e em que as orientações são apenas grosseiras. Inventou também uma parte do desenho da necrópole. Independentemente das razões destes erros, a sua consequência é ajustar à força a topografia de Marim a um modelo pré-concebido de villa romana típica.
[18]
BASSANI (2005): 95-100 e BOWES (2006): 77-84.
[19]
CHAVARRÍA (2007), nº de catálogo 108, p. 279.
[20]
REIS (2004): nº 070, p. 121-2 e GARCÍA-ENTERO (2005): 437-8, com extensa bibliografia.
[21]
FERNÁNDEZ (2006): 595. Tradução do autor do presente estudo. O texto assume o desconhecimento da história do local e as anomalias da extensão e dos achados epigráficos, relativamente ao esperado numa villa convencional. Por outro lado o aspecto portuário fundamental é ignorado em detrimento de um inverosímil carácter de villa agrícola e industrial - determinado pelo achamento de algumas ânforas e dolia [ver nota 48] - Incorre na incorrecção menor de atribuir as lápides às duas necrópoles.
[22]
VEIGA (1887-91), vol. 2, p. 390. Esta tese teve diversos seguidores.
[23]
LAGÓSTENA (2001): 84, 263, 358. Seria assim uma alfândega fiscal onde se cobrava o portorium, imposto sobre as mercadorias e bens circulados por via marítima ou terrestre, em fronteiras provinciais ou municipais.
[24]
ALARCÃO (2005): 301-3.
[25]
MANTAS (1990): 188, ENCARNAÇÃO (1991): 230.
[26]
ALARCÃO (1988): nº 8/311, p. 208.
[27]
SILVA & SOARES (1992): 357-9, que reflecte uma opinião difundida pela temática das villae marítimas, desenvolvida por EDMONDSON (1990), FABIÃO (1994) e MANTAS (1999), entre outros.
[28]
ARA II: 277, como hipótese interrogada.
[29]
LAGÓSTENA (2001): 262.
[30]
Nomeadamente a necrópole principal, que será abordada mais adiante.


Principais ilustrações originais a incluir na 2ª edição

Fig.1 - Ocupação romana entre as cidades de Ossonoba e Balsa (pdf 1.2 MB)

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Fig.2 - Ocupação romana entre Marim e Moncarapacho (pdf 0.6 MB)

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Fig.3 - Marim: correcção topográfica dos sítios arqueológicos
explorados por Estácio da Veiga em 1877
(pdf 0.9 MB)


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Fig.4 - Ocupação romana da páleo-baía de Marim.
Os três núcleos de povoamento: a villa, o porto e a fábrica de salgas (pdf 0.6 MB)

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Fig.5 - Marim: A villa e o porto (pdf 0.7 MB)

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Fig.6 - Reconstituição da linha de costa de Olhão na época romana (pdf 1.4 MB)

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Fig.7 - Comparação das áreas estimadas de Marim, Milreu, Cerro da Vila e S. Cucufate (pdf 1.0 MB)

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Fig.8 - Marim: Reconstituição da paisagem agronómica na época romana.
Condicionantes geográficos do uso do solo e dos limites de propriedade (pdf 3.5 MB)

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Fig.9 - Marim: Parte urbana da villa (1 de 3).
Comparação planimétrica do sector conhecido da villa de Marim com sectores de outras villae (pdf 1.6 MB)

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Fig.10 - Marim: Parte urbana da villa (2 de 3).
Reconstituição da implantação e da organização funcional do espaço

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Fig.11 - Marim: Parte urbana da villa (3 de 3).
Templos de tipo "romano-céltico" com abside. (pdf 0.5 MB)
Comparação e conjectura de evolução arquitectónica

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Fig.12 - Marim: Fábrica de salgas.
Localização arqueológica e proposta de reconstituição topográfica (pdf 0.5 MB)

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Fig.13 - Áreas de produção e circuitos de distribuição de mercadorias transaccionadas pelos Iunii (pdf 0.7 MB)

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Fig.14 - Marim: Paralelismos planimétricos da pequena sala absidada do balneum (pdf 1.2 MB)

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Fig.15 - Marim: Reconstituição conjectural da topografia funcional da zona do balneum (pdf 0.5 MB)

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Fig.16 - Necrópole do porto de Marim (1 de 2).
Paralelismos planimétricos com "jazigos-casa" da 1ª metade do séc. III (pdf 1.4 MB)

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Fig.17 - Necrópole do porto de Marim (2 de 2).
Análise interpretativa e reconstituição planimétrica (pdf 1.0 MB)

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Fig.18 - Ocupação romana da zona de Moncarapacho (pdf 1.1 MB)

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Fig.19 - Implantação da zona arqueológica estimada de Marim (1 de 2).
Na carta militar de Portugal (pdf 0.8 MB)

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Fig.20 - Implantação da zona arqueológica estimada de Marim (2 de 2)
Sobre a "Urbanização dos Pinheiros de Marim" (pdf 2.2 MB)
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Friday, April 10, 2009

PALHARES

Geografia toponímica de PALHA e de alguns dos seus derivados


Este post recicla um comentário feito há anos no saudoso fórum Celtiberia.com alguns acrescentos e correcções.

O link iniciado no tópico PALLARES desse fórum é redirigido agora para aqui.


PALH-A, -AS, -INHA

palea

Folhas e hastes secas de cereais e de plantas herbáceas

Termo moderno habitualmente relacionado com a cultura cerealífera de sequeiro

[AL]PALH-ÃO, -ÕES

paleanu-?

Forma moçárabe e híbrida, com artigo árabe


PALH-AL, -AIS

palealis « palearis ?

Monte de palha (forma de armazenamento ao ar livre)

Forma galaico-portuguesa sécs. XII-XIII

Nota: a forma plural PALHAIS pode ser uma evolução posterior do galego-português PALHARES: PALHAIS « PALHAES « PALHA[R]ES « PALHARES

PALH-AR, -ARES

pallar « paliare (Lapesa p. 448-9)

Monte de palha (forma de armazenamento ao ar livre)

Forma galaico-portuguesa antiga, anterior ao séc. XII

Nota: ver PALHEIRO

PALHAÇ-O, -A, -OS, -INHOS, -ANA

paleata- ?

galaico-português pallaza, Casa feita de palha.

Ver formas moçárabes homónimas: PALHOTA e PALHOÇA

PALHAG-UEIRA, -OURA, -ÕES

palgario < paleariu-

Forma moçárabe (Lapesa, p. 448)

Edificação/estrutura coberta para guardar palha, sinónimo de PALHEIRO

PALHOTA, -S, PALHOÇA, -S

paleata- ?

Casa feita de palha.

Forma moçárabe. Ver PALHAÇA

PALHEIR-O, -OS, -ÃO, -ÕES, -INHO, -A, -AS, -INHA, -AL

palleiro « pallairo « pallariu « paleariu- (Lapesa, p. 448)

Galaico-português. Termo corrente do português moderno, daí a sua difusão geográfica generalizada.

Casa com telhado de palha

Edificação/estrutura coberta para guardar palha

Mesmo étimo de PALHAR

Bibliografia

S/A, Repertório Toponímico do Continente (versão digital), Serviços Geográficos do Exército, Lisboa 1999
Rafael Lapesa et alii, Léxico hispánico primitivo (siglos VIII al XII), Real Academia Española, Madrid 2004
Bernard Auzanneau e Yves Avril, Dictionnaire Latin de Poche, Le livre de poche, Paris 2000


Sunday, March 01, 2009

Catálogo dos Itinerários de Antonino. 1

Resumo

Este post identifica de forma sistematizada e exaustiva os itinerários terrestres descritos em Itinerarium provinciarum Antonini Augusti, documento da Antiguidade romana vulgarmente conhecido por "Itinerário de Antonino" ou, mais propriamente, por "Itinerários de Antonino".

Faz parte de um projecto pessoal, de organizar os Itinerários numa base de dados relacional associada a um sistema de informação geográfico.

This post identifies in a systematic and exhaustive way the land itineraries described in Itinerarium provinciarum Antonini Augusti, a document from Roman Antiquity usually known as "Antonine Itinerary".

It is part of a personal project of organizing the "Itinerary" into a relational databese associated to a geographic information system.

Os Itinerários de Antonino são um roteiro de itinerários terrestre e navais, compilado entre 286 e 310 (Reed 1978) e escrito em Latim.

Os manuscritos conhecidos mais antigos são dos séc. VII e VIII e correspondem a cópias diferentes de um original perdido.

Sai fora do âmbito deste post expôr as teorias e a análise crítica sobre o significado e funções dos itinerários na época romana, que terão levado à feitura do roteiro.

Conceitos

Roteiro

Colecção/lista de itinerários.

Itinerário

Percurso entre uma origem e um destino, passando normalmente por pontos intermédios referenciados. Um itinerário efectua-se sobre uma estrada física mas é conceptualmente distinto desta. De facto, um itinerário corresponde a um plano de viagem por uma rede viária existente. Parte da rede pode ficar assim excluída de qualquer passagem enquanto outra parte pode ser percorrida em vários itinerários.

Um roteiro só reflecte integralmente uma rede viária quando é constituído por itinerários que percorrem exaustivamente essa rede, com ou sem redundância.

O rigor do ajustamento do percurso à estrada percorrida é proporcional ao número de pontos intermédios localizados e ao conhecimento independente dos eixos viários existentes.

Um itinerário de Antonino é formado pela mansio inicial e por um nº variável de etapas. A mansio da última etapa é a mansio final.

Mansio

Pl. mansiones. Em sentido geral são as povoações ou sítios de passagem dos itinerários, referidos no roteiro. Em sentido estrito são lugares com instalações de pernoita para viajantes oficiais do Estado romano. Alguns autores usam o termo estação viária como sinónimo ou substituto.

Mansio inicial