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Sunday, December 17, 2006

Carta Arqueológica do Algarve- 1883

Carta Archeologica do Algarve
Tempos prehistoricos
Representando o período neolithico, a transição d'este período para a Idade do Bronze, esta Idade e a Idade do Ferro.
Elaborada em 1878, comprovada em 1880 com a fundação do Museo Archeologico do Algarve, apresentada no mesmo anno ao Congresso de Anthropologia e de Archeologia Prehistórica reunido em Lisboa e recentemente muito ampliada pelos descobrimentos feitos em 1882
Por Estácio da Veiga
Sócio correspondente da Academia Real das Sciencias e da Sociedade de Geographia de Lisboa, do Instituto de Coimbra, do Imperial Instituto Archeológico Germânico de Roma, da Sociedade Francesa de Archelogia, etc.
1883
Publicação Official


Uma versão de grande resolução (6816x4946 pix, 300 dpi, RGB 24 bit, 3.2 MB) está disponível em www.arqueotavira.com/Mapas/Estacio/CA-Estacio-1883-web.jpg

Sunday, December 03, 2006

COROGRAFIA I: PORTOS ROMANOS

Os portos de navegação são um dos elementos mais importantes e interessantes do povoamento humano da Antiguidade e constituem um tema recorrente nos estudos regionais.
A sua caracterização é, porém, frequentemente simplista e pouco informativa.
Como alternativa, abordo-os do ponto de vista da geografia humana clássica, que integra perfeitamente os aspectos físicos, económicos, técnicos e geopolíticos da navegação e dos seus assentamentos.
Considero que os portos podem ser melhor explicados a partir de uma nomenclatura factorial. Tendo uma natureza multidimensional, a sua caracterização pode decompor-se em factores (construções descritivas independentes), que se recombinam na descrição de sítios portuários concretos.
Apresento assim uma tipologia operativa que permite a avaliação de um amplo leque de locais e estruturas portuárias, baseada em sete eixos, ou dimensões, distintas:

I. Topologia geográfica de agregados portuários
II. Situação portuária, segundo os tipos de morfologia costeira
III. Funções do porto no sistema de navegação
IV. Valências e infra-estruturas do porto para a navegação
V. Hierarquia do lugar central onde se localiza (específica da Época Romana)
VI. Perfil de especialização das actividade utilizadoras
VII Classificação geopolítica básica dos portos romanos

Esta tipologia pretende ajustar-se aos exemplos conhecidos ou previsíveis na região de estudo (o Golfo de Cádiz), podendo servir como formulário de orientação da pesquisa, descrição e avaliação de estabelecimentos e posições portuárias.
Devido às restrições de edição, as tabelas são apresentadas como imagens.


I - Topologia geográfica de agregados portuários

Agrupamentos geográficos e funcionais de portos


II - Situação portuária, segundo os tipos de morfologia costeira

Enumeração das principais situações portuárias, relativos aos tipos de morfologia costeira existentes na área do Golfo de Cádis, tendo em conta a complexidade recursiva dos sistemas lagunares.

As situações podem ser exclusivas entre si (ex.: 1.1 e 1.2) ou constituir subcritérios inclusivos (ex.: 2.a e 2.b). A recursividade é indicada por (ver item).


III - Funções que o porto desempenha no sistema de navegação

Tipologia técnica dos portos


IV - Valências e infra-estruturas portuárias que oferece aos navegadores

Elementos valorizadores dos portos, do ponto de vista das profissões e interesses ligados á actividade da navegação


V - Hierarquia do lugar central onde se localiza (taxonomia específica da Época Romana)

Classificação dos portos segundo o tipo de assentamento em que se localizam



VI - Perfil de especialização. Nomenclatura de actividades

A combinação do peso local das actividades define o perfil de especialização de cada porto. A existência de portos altamente especializados numa actividade ou em que essa actividade tem um peso determinante permite atribuir-lhes uma designação própria.
A hierarquia taxonómica das actividades (aqui representada num sistema de classificação decimal) pode ser considerada em qualquer nível adequado. A lista abaixo constitui um ponto de partida que articula os sectores pré-industriais de actividade com as particularidades da economia romana e da sua arqueologia.


VII - Tipologia geopolítica elementar

Classificação portuárioa básica a considerar numa análise geopolítica


Saturday, December 02, 2006

A COSMOGRAFIA DO ANÓNIMO DE RAVENNA

A Cosmografia do Anónimo de Ravena, ou Ravennate[1] é uma obra de origem bizantina que descreve a geografia do mundo Clássico Antigo, de modo sistemático e muito condensado.


Planisfério representando a Cosmografia do Anónimo de Ravena, numa versão medieval


Embora escrita no séc. VII, baseia-se fundamentalmente em fontes romanas do Baixo-Império (sécs. III e IV). Acrescenta alguns comentários históricos mais recentes e notas hagiográficas cristãs, empregando uma sistematização geográfica peculiar e uma actualização da ortografia de muitos topónimos para a norma da época em que foi escrita (como Spania por Hispania ou Stacio por Statio).

As sequências de enumeração de sítios indicam uma compilação realizada a partir de informação comum aos Itinerários de Antonino[2] (IA).

O Ravennate é uma compilação pouco cuidada, com numerosas omissões de cidades importantes e erros ortográficos, assim como alguns erros de ordenação geográfica, ou de duplicação.

O seu principal interesse consiste na apresentação de numerosos topónimos únicos, geralmente fiáveis por confirmação arqueológica, toponímica, numismática ou epigráfica. Muitos permanecem no entanto com localização incerta, devido a serem sítios relativamente secundários, não documentdos noutras fontes.

Na Península Ibérica, a sequência descreve primeiro um périplo costeiro no sentido dos ponteiros do relógio (pelas costas do Mediterrâneo, do Atlântico Ocidental e do Mar Cantábrico), seguido de irradiações em torno de alguns centros urbanos preponderantes. Com excepção da costa Cantábrica, a ordem segue aproximadamente troços de percursos viários identificados nos Itinerários Antoninos, porém com alguns saltos e muitos desvios devidos a vizinhanças geográficas.

O total corresponde a 25 conjuntos de enumerações de lugares que seguem percursos viários e périplos costeiros. Noutras zonas do antigo Império Romano (por exemplo a Britannia) há também enumerações de ilhas e de lugares por zonagem geográfica, ignorando eventuais vias .


O mapa seguinte apresenta a parte do périplo correspondente às costas mediterrânica e atlântica ocidental.


A tabela (sob a forma de imagem) compara as enumerações do Ravennate e dos IA, na parte correspondente ao Atlântico Ocidental, que inclui o Algarve.
A ordem da Cosmografia, entre Serpa e Braga, segue sempre vias já descritas nos IA, formando assim um novo itinerário "corográfico", isto é, que identifica as localidades segundo a ordem geográfica geral de Sul para Norte.

O ajustamento entre ambas as fontes sugere que a Cosmografia foi coligida a partir de um mapa, que continha não só nomes de lugares como também algumas vias, correspondentes às dos IA.

A semelhança entre a Cosmografia e mapa esquemático conhecido por Tabula Peutingeriana (original do séc. III-IV d.C.) é interpretada, por muitos autores, como sendo esta a fonte do Ravennate, ou um documento semelhante.

Infelizmente, a folha da Tabula relativa à Península Ibérica perdeu-se, existindo apenas uma recriação baseada precisamente no Ravennate, realizada por Conrad Miller em 1887, apresentada no mapa seguinte:

As numerosas omissões de mansiones identificadas nos IA revelam que a fonte original foi um mapa imperfeito ou de pequena escala, ou que o compilador fez um mau trabalho, pois são omitidas cidades importantes (como Scallabis, por exemplo) e, simultaneamente, são referidas mansiones que devem ter sido bastante secundárias (como Abbona, a actual Coina-a-Velha).

Não se deverá dar muita importância à variação ortográfica da toponímia entre o Ravennate e os IA, pois a taxa de erros de transcrição e abreviação na cartografia antiga é muito elevada (vejam-se os numerosos exemplos da cartografia do Sul de Portugal entre os sécs. XVI e XIX)[3]

Surgem dois novos lugares no Ravennate: a Statio Sacra e Ceno Opido, intercalados entre povoações bem localizadas e relativamente próximas, os quais devem ser interpretado como estações das respectivas vias ou sítios da sua vizinhança.

A ausência destes topónimos nos Itinerários Antoninos não é significativa. De facto, segundo Van Berchem[4] , os IA são essencialmente itinerários fiscais e administrativos, que definem os principais percursos oficiais da administração estatal romana, com destaque para a recolha da annona e o planeamento de viagens dos Imperadores. Identificam apenas mansiones, isto é centros populacionais ou viários correspondentes a comunidades de contribuintes e pontos nodais da logística administrativa (capitais, cidades e portos que são termos de itinerários).

O Ravennate, pelo contrário, é uma Corografia Universal que, embora de má qualidade e cheia de omissões, descreve todo o tipo de pontos corográficos importantes, não só povoações como montanhas, mares, ilhas e rios. A maioria dos seus lugares inéditos correspondem a pontos da orla marítima, usados para definir perímetros costeiros, mas incluem também algumas povoações intermédias entre mansiones identificadas nos IA.
Estas seriam lugares secundários, como vici, santuários, estações viárias ou outros povoamentos especializados.

A toponímia páleo-cristã, que só se começa a divulgar a partir do séc. VII, está ausente no Ravennate, com uma única excepção, que é Christopolis, referida como sendo o novo nome de Neapolis (hoje Kavála, na Grécia, prov. Macedónia).
A renomeação é apenas de finais do séc. VI ou inícios do séc. VII, após a destruição da cidade vizinha de Philippi (sede da 1ª igreja cristã na Europa fundada por Paulo c. 49-50 e importante centro cristão) por um terramoto e transferência da sua sede episcopal para Neapolis. Será assim quase contemporânea do Ravennate, datado por Schnetz entre 638 e 678 .
É, tanto quanto sei, o primeiro topónimo cristão registado nas fontes escritas.

Abundam em contrapartida os topónimos "pagãos". Indicam-se os principais e o respectivo nº de ocorrências: Afrodite (5), Apolo (14), Asclépio (1), Diana (5), Dioníso (3), Hércules (18), Hades (1), Jano (2), Isis (2), Júpiter (1), Minerva (4), Neptuno (1), Príapo (1), Saturno (2), Vénus (2).

As partes hispânicas do Ravennate e da Tabvla Peutingeriana estão publicadas em
http://www.arqueotavira.com/fontes/Ravenate/



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[1] Ravennatis Anonymi Cosmographia. Edição crítica de Joseph Schnetz, Lipsia 1940.
[2] Ver http://www.romanmap.com/htm/ravcosm/rav.htm, que ilustra cartograficamente a enumeração de I. A. Richmond and O. G. S. Crawford (1949): 'The British Section of the Ravenna Cosmography', Archaeologia*, XCIII, 1-50
[3] Alguns exemplos publicados em www.arqueotavira/Mapas/index.html
[4]
Denis van Berchem. la annona y el Itinerario Antonino. Anexos de El Miliario Extravagante, 4. Dez. 2002, pp. 19-26

Friday, December 01, 2006

VIAS ROMANAS DA HISPANIA

Mapa da rede viária romana principal da Península Ibérica, na sua fase amadurecida (inícios do séc. IV).

Mostra as cidades e aglomerações secundárias mais importantes, assim como as capitais (da diocese da Hispania, das províncias do Baixo-Império e dos Conventos Jurídicos do Alto-Império).
A rede viária representada corresponde aos principais eixos, sobretudo os que se pensam estar ligados a rede do cursus publicus e à cadeia da hierarquia administrativa territorial.
Não se representa a rede inter-urbana complementar nem os numerosos troços de ligação.