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Wednesday, August 30, 2006

POPULI

Carta Etnológica dos Povos Pré-Romanos da Península Ibérica, circa 200 a.C.



Apresentação

Fazer um mapa da Hispânia pré-romana é uma tarefa ingrata e interminável, por diversas razões, em que se destacam:

- A inconsistência no ajustamento dos distintos levantamentos regionais
- A incerteza nas identificações e localizações
- Questões taxionómicas e conceptuais de fundo como, por exemplo, os limites cronológicos e geográficos do urbanismo pré-romano e do mundo céltico
- O risco de anacronismo, pela necessidade de recorrer a elementos apenas documentados posteriormente.

Tive assim, de cortar a eito relativamente a numerosas e difíceis opções, esperando que o formato digital utilizado permita ir fazendo correcções e aditamentos progressivos.

Plano e notas

Geografia de base

Linha costeira

Rios principais

Grandes grupos linguísticos existentes em 200 a.C., nas zonas em que são maioritários.

Celta

Consideram-se os celtas no sentido estrito, definidos desde finais da I Idade do Ferro. Neste sentido, não se distinguem os celtas hispânicos, resultantes da evolução local de estratos pré-célticos, dos celtas gauleses recém-migrados.

Para além das zonas de predomínio linguístico representam-se as principais áreas de complexos do celta com outras línguas, nomeadamente com o indo-europeu atlântico (Galaico-Lusitano), com o proto-Basco e com o Ibérico. Representa-se ainda o principal núcleo contíguo de imigração céltica na Turdetânia, como uma trama de sobreposição.

Indo-europeus pré-celtasta

Representa-se a área dos Lusitanos e Vetões, assim como a maioria da área montanhosa da cultura castreja, em que o substrato pré-céltico coexistiria ainda com os aportes célticos posteriores que se generalizam por toda a Gallaecia. Não se representam zonas de línguas indo-europeias pré-celticas, eventualmente ainda existentes, na área pirenaica e na época de estudo.

Proto-Basco

Representam-se os principais complexos geográficos com os grupos céltico e ibérico.

Tartéssico

Área primitiva da língua tartéssica, já residual ou desaparecida em 200 a. C, sobretudo nas zonas célticas. O tartéssico poderá ter evoluído para a variante linguística falada na Turdetânia ocidental.

Ibérico

Inclui as variantes levantina e meridional. Representam-se os complexos principais formados com o Proto-Basco e com o celta, já no Sul da Gália.

Entidades etno-políticas

Principais, com topónimos a preto, dimensionados segundo a dimensão geográfica estimada do grupo:

Grupos étnicos principais com topónimo e expressão regional delimitada.

Formações sociais multiétnicas e multilingues que partilham um contexto geográfico, sociopolítico e cultural comum (Turdetanos e, eventualmente, zonas da área ibérica não assinaladas).

Secundárias. Correspondentes a gentes isoladas ou integradas em grupos étnicos ou formações sociais principais.


Notas

- Os Cónios e os Túrdulos da Betúria são assinalados sobre o limite da área turdetana, destacando o seu carácter tampão, etnicamente célticos mas integrados politicamente na charneira do mundo turdetano.

- Ainda na Turdetânia, os líbio-fenícios das fontes clássicas fazem-se corresponder com a área de colonização cartaginesa sobre o território dos Bástulos.

- Os Túrdulos do litoral atlântico são assinalados como uma faixa contínua entre o Douro e o Tejo, correspondendo aos Turdulii Veteres e aos Turdulorum oppida das fontes e da Arqueologia.

Geografia da colonização pré-romana

- Domínio geopolítico cartaginês, diferenciado em área de colonização, área de domínio territorial e área de influência política e militar.

- Fundações coloniais principais e sobreviventes em 200 a.C. Excluem-se as colónias fenícias e gregas já desaparecidas ou muito decaídas assim como as feitorias e portos logísticos. Representa-se a potência colonizadora e o topónimo da cidade

- Zona do “Círculo do Estreito”, koiné costeira, económica e cultural centrada em Gadir , assinalada esquematicamente.

Geografia das cidades indígenas e fundações coloniais menores

- Consideram-se como urbanos apenas os povoados que emitiram moedas indígena antes de César.

- Não se consideram como urbanas, circa 200 a.C., as largas centenas de oppida que não cunharam moeda, na sua grande maioria pertencendo à zona céltica ou integrados nas “cidades-estado” polinucleares, turdetanas e ibéricas.

- Assinalam-se toponimicamente alguns centros indicados nas fontes, com funções de capitalidade política e militar mas que desapareceram durante as Guerras de conquista e civis dos séculos II e I a.C. (Conistorgis, Munda e Numancia). Identificam-se ainda Sagunto e Keition (forma que aceitamos como nome pré-romano de Salacia/Alcácer do Sal).

Romanização

- Frente militar romana em 194 a.C. e 156 a.C.

- Limites das províncias romanas após a 2ª reorganização de Augusto (antes de 7 a.C.).

Exclusões e inconsistências

- Não se incluem corónimos, isto é, nomes de regiões e de acidentes fisiográficos, mesmo quando são derivados de etnónimos.

- Não se incluem gentílicios derivados de nomes de núcleos urbanos peregrinos, preexistentes ou formados a partir de oppida, já na época romana.

- A designação dos populii não é consistente. Nos casos mais comuns usam-se termos em português (geralmente idênticos ao castelhano) e nos restantes, menos conhecidos e susceptíveis de alguma confusão devida à tradução, usam-se os termos no plural latino, retirados ou reconstituídos das fontes.


Bibliografia
No documento PDF indicado acima, que inclui o mapa

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