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Thursday, October 16, 2008

Toponímia histórica (4): Modelo sistémico de evolução linguística dos topónimos

Modelo aplicável ao Sul do território actualmente português

A matéria deste post corresponde a um síntese em curso, tornada possível graças aos conhecimentos, investigação original e colaboração de Maria Alice Fernandes, especialista em história da língua portuguesa e em Romance tardo-antigo e medieval. Deve porém frisar-se que todas as eventuais incorrecções e ilações menos fundamentadas são da exclusiva responsabilidade do autor do blog.

A toponímia estabelece uma relação linguística entre um dado grupo humano e o território que ocupa.

Os topónimos formam-se por um processo primitivo de toponimização original do território ou por substituição toponímica.

Os topónimos sofrem uma evolução histórico-linguística específica, em períodos cronológicos sucessivos. Cada fase dessa evolução corresponde a uma transformação de uma forma inicial do topónimo numa forma final.

O diagrama seguinte ilustra as fases do processo histórico em que a mudança geopolítica da língua dominante condiciona a toponímia pré-existente, através dos seguintes fenómenos:

  • Desaparecimento, sem substituição
  • Adopção, com transformação linguística. O conteúdo semântico original pode então:
    • Manter-se
    • Modificar-se
    • Extinguir-se (o topónimo torna-se opaco na nova língua)
  • Substituição
    • Por tradução (substituição erudita, com tradução da semântica original)
    • Por analogia fonética (homofonia: substituição popular, com perda do significado original)

A evolução linguística própria da língua dominante age sobre todos os topónimos, independentemente da sua pré-existência e origem linguística.

As transformações decorrentes podem classificar-se em:

  • Alterações fonéticas e morfológicas
    • Simplificação
    • Inovação
    • Afixação
    • Ajustamento à norma da língua dominante, eliminando localismos originais e formas conservadoras
    • Hipercorrecção toponímica erudita. Forma particular de ajustamento à norma, que se aplica a antropotopónimos, hagiónimos e topónimos historicamente atestados ou reconstituídos segundo a cultura erudita dos falantes da língua dominante. Pode consistir na substituição de um topónimo actual por um topónimo desaparecido numa fase histórica anterior (recuperação toponímica anacrónica, real ou fictícia), numa forma adaptada à norma linguística actual
  • Alterações sintácticas
    • Alteração das regras de composição
  • Hibridação
    • Hibridação lexical, com étimos adoptados de outras línguas. Nestes casos, os étimos adoptados opacos tornam-se designações toponímicas, perdendo o seu valor coronímico original.
    • A formação de híbridos pode dever-se, para além da hibridação lexical, a alterações fonéticas e morfológicas de palavras da língua dominante e a novas regras de composição sintáctica, por falantes de línguas secundárias, nomeadamente falantes de línguas anteriormente existentes ou migrantes de zonas linguisticamente diferenciadas.

Clique aqui para ver uma versão ampliada do diagrama em formato pdf

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