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Thursday, November 26, 2009

História religiosa do Algarve

Esboço das grandes fases da história religiosa do Algarve

Alterações de paradigma religioso: mudança de religião dominante; de equilíbrio sociopolítico de religiões; de doutrina e estratégia de proselitismo; de alteração do poder político do clero; ou de relevância social do fenómeno religioso.

Elementos político-militares e religiosos com incidência na história territorial da região, isto é, nos registos literário, arqueológico, toponímico e etnográfico e na corografia regional da igreja católica.

As datas são aproximadas.

Época

Duração

Alguns aspectos fundamentais

1

c.800AEC-c.500AEC

300

Cultos indígenas do Bronze Final.

Cultos coloniais fenícios.

2

c.500AEC-c.200AEC

300

Cultos indígenas da 2ª Idade do Ferro.

Interpretações helenísticos de cultos indígenas e de santuários coloniais fenício-púnicos.

3

c.200AEC-c.30EC

230

Início do domínio romano: de 200AEC a 170AEC.

Destruição/abandono dos santuários político-militares indígenas entre 200AEC e 100AEC.
Cultos urbanos romanos de colonização, a partir de 23AEC (ou anterior?).
Registo epigráfico latino local de divindades e santuários indígenas desde c.70AEC.

4

c.30-c.330

300

Romanização de cultos indígenas no contexto da municipalização, hierarquização provincial e diversificação funcional dos sítios rurais.
Cultos mediterrânicos em contexto romano.
Santuários tetrárquicos a partir de 296.

5

c.330-c.395

65

Dualidade entre cristianismo e paganismo.

1º bispo de Ossonoba: Vincentius (306?-314?)
Templos pagãos nas villae de Milreu e Marim (c. 350-365).
Vettius Agorius Praetextatus
, restaurador do paganismo, governador da província da Lusitânia em 360.
Ithacius
bispo de Ossonoba (380-5), interveniente na querela contra Priscillianus.

6

c.395-séc.VI

205

Cristianização de centros urbanos e similares e de sítios rurais senhoriais.

7

Séc.VII-c.714

114

Consolidação do domínio visigodo a partir de c.624.

Início do fim do paganismo rural.

Destruição dos grandes santuários rurais e sua cristianização.

8

c.714-c.850

136

Fim do paganismo rural.

Sincretismos moçárabes.

Novos cultos hagiológicos e toponimização cristã dos santuários e povoados.

9

c.850-c.1120

270

Coexistência regulamentada das três religiões do livro.

Sincretismos sufistas. Santuários mistos, como o da "Igreja do Corvo".

Islamização das elites locais moçárabes (muladies) e sua ascensão política no séc. XI.

10

c.1120-c.1250

130

Repressão dos moçárabes e fim dos santuários mistos.

Guerra endémica.

Islamização forçada da maioria das comunidades rurais moçárabes remanescentes.

Emigração e despovoamento de zonas rurais fronteiriças.

11

c.1250-c.1400

150

Colonização portuguesa dos centros urbanos e zonas limítrofes.

12

c.1400-c.1500

100

Colonização rural portuguesa.

13

c.1500-1755

255

Expulsão dos judeus e mouriscos em 1497.
Visitação da Ordem de Santiago em 1517/8.
Fundação da Inquisição em Portugal em 1536.
Contra-Reforma. Ortodoxia tridentina após 1563.
Culto de S. Sebastião a partir da 2ª metade séc. XVI.
Culto da Senhora da Conceição após 1646 e de outros cultos marianos ortodoxos após 1500.
Apogeu da influência social do cristianismo

14

1755-1816

61

Reorganização dos cultos no pós-terramoto de 1755. Expulsão dos Jesuítas em 1759.

Acção edilícia do Bispo Gomes de Avelar (1789-1816).

Fase final da influência social do cristianismo.

15

1816-c.1850

34

Revolução liberal. Extinção da Inquisição em 1821 e das ordens religiosas em 1834.

Guerra civil e Guerrilha miguelista no Algarve: 1828-1840.

Descontinuidades de povoamento serrano e de cultos rurais.

16

c.1850-c.1950

100

Época tradicional algarvia, limite da identidade colectiva regional.

Imigração litoral.

Repovoamento da Serra e colonização alentejana das zonas serranas e rurais.

Novas festividades populares rurais e marítimas, nos sítios mais povoados e economicamente mais vigorosos.

Culto da Senhora de Fátima a partir de 1925.

17

c.1950-Actualidade

59

Fim do carácter religioso das festividades populares.

Fim do cristianismo como fenómeno religioso de massas.

Recriação autárquica/turística de cultos "tradicionais" a partir de 1980.

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