It takes a great deal of History to produce a little History

Monday, January 11, 2010

Planta de Tavira - 1913

Materiais para um Atlas Histórico de Tavira

Planta da Cidade de Tavira, levantada em 1913 por oficiais do regimento de Infantaria nº 4 e desenhada por Henrique da Conceição Monteiro.

Escala nominal 1:2 500
Cópia original desenhada a tinta da china sobre papel vegetal, pertencente ao Arquivo Histórico de Tavira
.

Montagem de fotocópias digitalizadas

1ª versão do estudo cartográfico das formas e funções urbanas de Tavira em 1913Clique aqui para uma versão vectorial em PDF

Topónimos da planta original
Antiga Igreja do Carmo (Hospício)
Apeadeiro da Porta Nova
Asilo da Infância Desvalida
Beco de Sant'Ana
Borda d'Água d'Aguiar
Calçada D. Paio Peres Correia
Calçada da Galeria
Calçada de D. Ana
Câmara Municipal
Caminho do Moinho
Caminho para os Moinhos
Campo dos Mártires da República
Cemitério do Carmo
Cerca do Quartel
Ermida de N. S.ª do Livramento
Ermida de N.ª S.ª da Piedade
Ermida de N.ª S.ª dos Mártires
Estação de Bombeiros Voluntários
Estação do Correio e Telégrafo
Estrada da Bela Fria
Estrada das Paredinhas
Estrada de Santa Luzia
Estrada de São Domingos
Estrada para a Fonte Salgada
Estrada para as Quatro Águas
Estrada para Vila Real de Santo António
Fábrica de Moagem
Horta da Bela Fria
Horta das Canas
Horta de S. Francisco
Horta de S.to António
Horta de São Paulo
Horta del-Rei
Horta do Bispo
Horta do Carmo
Horta do Roxo
Horta Gomes da Palma
Hortas
Igreja da Misericórdia
Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco
Igreja da Ordem Terceira do Carmo
Igreja de N. S.ª de Sant'Ana
Igreja de N. S.ª da Ajuda
Igreja de N. S.ª das Ondas
Igreja de N. S.ª do Rosário
Igreja de S. Brás
Igreja de S. José
Igreja de S. Sebastião
Igreja de Santo António
Igreja paroquial de Sant'Iago
Igreja paroquial de Sta. Maria
Largo 31 de Janeiro
Largo da Graça
Largo de Sant'Ana
Largo de São Brás
Largo de São Francisco
Largo de São Sebastião
Largo do Cano
Largo do Carmo
Largo do Trem
Largo José Joaquim Jara
Largo José Pires Padinha
Law-Tenis
Posto da Guarda Nacional Republicana
Praça 5 de Outubro
Praça da República
Quartel da Graça
Quartel de Infantaria nº 4
Rio Gilão
Rio Séqua
Rua 1º de Maio
Rua 4 de Outubro
Rua 5 de Outubro
Rua 7 de Outubro
Rua Alexandre Herculano
Rua Almirante Cândido dos Reis
Rua António Viegas
Rua D. Paio Peres Correia
Rua da Alegria
Rua da Bela Fria
Rua da Caridade
Rua da Fonte
Rua da Galeria
Rua da Liberdade
Rua da Palmeira
Rua da Porta Nova
Rua da Silva
Rua das Capacheiras
Rua das Cruzes
Rua das Freiras
Rua das Olarias
Rua das Pedras
Rua das Salinas
Rua de D. Ana
Rua de Lisboa
Rua de Sant'Ana
Rua do Aquartelamento
Rua do Correio Velho
Rua do Forno
Rua do Poço do Bispo
Rua do Rego
Rua do Ribeirinho
Rua do Salto
Rua dos Álamos
Rua dos Fumeiros de Diante
Rua dos Fumeiros de Trás
Rua dos Machados
Rua dos Mouros
Rua dos Pelames
Rua dos Torneiros
Rua Doutor Miguel Bombarda
Rua Doutor Parreira
Rua Francisco Ferrer
Rua Jaques Pessôa
Rua José Joaquim Jara
Rua José Pires Padinha
Rua Montalvão
Rua Nova da Avenida
Rua Peixinho de Vides
Rua Roque Féria
Rua Tenente Couto
Sapal
Terreiro da D. Ana
Terreiro do Garção
Travessa da Fábrica
Travessa da Fonte
Travessa das Cunhas
Travessa das Olarias
Travessa de São Sebastião
Travessa do Caracolinho
Travessa dos Mouros
Travessa Jaques Pessoa
Travessa do Poço
Travessa D. Ana
Travessa D. Paio Peres Correia
Travessa da Bela Fria
Travessa da Caridade
Travessa das Figueiras
Travessa de D. Brites
Travessa do Trem
Travessa dos Pelames
Travessa Doutor Miguel Bombarda

Friday, January 08, 2010

Estrabão e a geografia costeira do Golfo de Cádis

Estrabão é o autor clássico que mais detalhes fornece sobre a geografia estuarina do Sudoeste Peninsular na Antiguidade. Distingue perfeitamente esteiros e estuários, tratando apenas dos primeiros e referindo os últimos como vales fluviais e parte integrante dos rios.

Refere a existência de canais artificiais de navegação, correspondendo às situações actuais dos canais e das barras que têm de se manter artificialmente abertos por desassoreamento periódico.

Noticia também a existência de vias terrestres inundadas pelas marés, correspondendo aos trajectos sobre portus que cruzam os esteiros mais perto da foz. Esta deveria ser a situação de numerosos esteiros do Algarve.

Não especifica as rias, referindo-se apenas a esteiros que mantém sempre parte da sua água, por oposição a outros que a perdem na maré baixa. Assinala ainda a existência de ilhas no meio dos esteiros, correspondendo a partes nunca inundadas, de que sabemos hoje terem sido algumas habitadas ou ocupadas por construções.

Refere finalmente a navegação de maré, quer na entrada quer na saída dos esteiros, cujo impulso compara ao obtido pela corrente dos rios. Tal sugere uma navegação fluvial baseada nos "pontos de maré", bem conhecida no Guadiana até ao advento dos barcos motorizados, e que se pode fazer corresponder às estações fluviais romanas identificadas ao longo do rio.

Transcrevem-se excertos da sua Geografia, relativos aos estuários do Golfo de Cádis, organizados por tópicos:

  • A configuração da costa do Golfo de Cádis

    Toda a terra litoral [da Turdetânia] entre o Promontório Sagrado e as Colunas de Hércules, constitui uma grande planície [uma extensão contínua de terra plana, que se prolonga consideravelmente para o interior]. Em muitos lugares dela formam-se depressões em que o mar penetra por terra dentro, parecidas a ravinas de média profundidade ou vales fluviais e que se prolongam por muitos estádios. (III.2.4)

  • A definição de esteiro

    Chamam-se esteiros às aberturas do litoral que se enchem com as marés-altas e que, como rios, podem ser navegados até ao interior... (III.1.9)

  • A navegabilidade bidireccional ocasionada pelas correntes da maré

    Estas depressões são cheias pelas crescidas do mar durante as marés-altas até ao ponto de poderem ser navegáveis por embarcações, não menos que os rios e inclusivamente melhor. Pois a navegação aqui parece-se com a da descida dos rios, já que, por um lado não se produz nenhuma resistência em contrário e por outro, o mar na sua subida empurra as popas, comportando-se como a corrente de um rio. (III.2.4)

  • A força das marés e a sua influência no alagamento dos esteiros

    Aqui as marés são mais vivas do que noutros lugares... Alguns destes esteiros com efeito esvaziam-se durante as marés baixas, a outros a água não abandona completamente e outros ainda possuem ilhas no seu interior. Tais são os estuários entre o Cabo Sagrado e as Colunas, que têm uma crescida de maré maior que os demais sítios. (III.2.4)

  • A subordinação do uso da rede viária terrestre litoral e da navegação estuarina às inundações e marés

    As confluências interiores tornam-se também úteis durante as inundações frequentes que cobrem os istmos e fecham os caminhos, ao mesmo tempo que tornam a planície navegável, de modo que as embarcações podem passar dos rios para os estuários e de estes para aqueles. (III.2.5)

  • Os esteiros como via navegável e localizações de portos de comércio marítimo e interior

    Contribuem para [a exportação] os rios e os esteiros, que como dissemos, são semelhantes a rios e igualmente navegáveis, não só por pequenas embarcações mas também por grandes barcos. (III.2.4)

    Assim, conhecedores...que os estuários proporcionavam as mesmas vantagens que os rios, [os habitantes] estabeleceram nas suas margens cidades poderosas e outras fundações. Entre elas encontram-se Asta, Nabrissa, Onoba, Ossonoba, Mainoba e muitas outras. Para além disso, em alguns lugares abriram-se canais, originados pela existência de pontos de partida e chegada de tráfego comercial, tanto interior como exterior. (III.2.5)

  • As marés como factor da navegação comercial

    Esta maior crescida de maré constitui uma vantagem para os navegantes pois torna mais frequentes e maiores os esteiros, que muitas vezes se tornam navegáveis até oito (quatrocentos) estádios, de maneira que, de certo modo, a crescida torna navegável toda a região e cómoda para a exportação e importação de mercadorias. (III.2.4)

  • O rio Guadiana

    Também o Anas é navegável mas não por barcos tão grandes nem em tanta extensão [como o Betis-Guadalquivir] (III.2.3)

    ... o rio Anas, que também tem duas bocas [como o Betis], com uma passagem navegável [para o interior] em cada uma delas. (III.1.9)

Friday, December 25, 2009

O ocaso da cultura do conhecimento histórico


As actividades culturais no Algarve nunca tiveram, como hoje, um destaque tão relevante na agenda sociopolítica e financeira da Região.


As suas manifestações têm crescido em qualidade, sofisticação profissional e em interesse por partes crescentes de público.


A cultura artística apresenta-se mais pujante que nunca em todas as suas manifestações, destacando-se também o vigor das culturas ecoambiental, patrimonialista e literária.


Neste cenário francamente positivo, a cultura do conhecimento histórico é a parente mais pobre.


Sem chegar a ser individualizada como tema específico da esfera cultural, são virtualmente ignorados os agentes culturais que a promovem enquanto tal. Estes são, quando muito, formatados como "produtores de conteúdos", matérias-primas secundárias da esfera hipertrofiada do patrimonialismo, isto é, da "gestão cultural" dominada pelos eventos mediáticos, pela engenharia da captação de fundos, pelo marketing da imagem e – sobretudo - pela construção de infra-estruturas.


A nível regional e local, a dinâmica de emprego, de interesses e de investimentos nos patrimónios e técno-patrimónios erradicou quase integralmente o conhecimento histórico, à custa da integração das técnicas periciais e de algumas das ciências auxiliares da História, oportunamente convertidas em tecno-actividades "do património".


A negação ou incapacidade em assimilar o conhecimento histórico e histórico-geográfico tem conduzido ao agravamento da presente tendência de multiplicação de iniciativas museológicas ou de recreação cultural, em que a crescente elaboração formal e material se acompanha por um esvaziamento ou alienação do significado histórico que pretensamente celebram, traduzidos em indigência e falta de rigor reconstitutivo e interpretativo.


Como consequência, o culturalismo espiritualista, o esteticismo formalista, o tecnicismo pericial esterilizante, o paroquialismo identitário e as fantasias audiovisuais de parque temático tendem já hoje a preencher o vazio deixado pela ausência do conhecimento científico de âmbito histórico-geográfico.


Porém, o conhecimento científico da História e do território histórico regional continua a ser um factor essencial para a contextualização e interpretação de conhecimentos empíricos da maior parte ou da totalidade dos sectores culturais.


O conhecimento histórico permanece também um elemento essencial na fundamentação de estratégias de intervenção socioeconómica e cultural, com destaque para o ensino, para o planeamento territorial e para a didáctica de numerosas actividades, incluindo as da fileira patrimonialista.


Permanece, finalmente, uma temática que desperta grande interesse junto de um público muito alargado, que tenta compensar a omissão dos curricula escolares e a falta de respostas dos "eventos culturais" através do consumo crescente de novelas e filmes históricos.


Parcelização municipal do território e do conhecimento


No Algarve é hoje virtualmente impossível desenvolver projectos de investigação e síntese de âmbito regional ou supra-regional sobre temáticas histórico-geográficas, por falta de entidades interessadas e promotoras.


Não existem publicados nem fundos de documentos históricos nem sínteses históricas, nem gerais nem de nenhum período concreto, com excepção da história contemporânea. As obras mais importantes permanecem sem edições críticas e, na sua maioria, esgotadas ou mesmo inéditas.


Não existem bibliotecas especializadas e actualizadas dignas desse nome, nem meios de aceder aos caríssimos repositórios electrónicos internacionais de publicações nas áreas de Humanidades e das Ciências Sociais Históricas.


Deixou de existir, ou nunca houve, espaço público para a investigação do passado e da história da Região, sobretudo para o conhecimento da sua história territorial e para as épocas menos "patrimonializáveis" ou mais distantes.


Sofrem sobretudo os trabalhos de investigação baseados em dispositivos e fontes, produtores de elementos intermédios e de sistemas de referência, de carácter mais moroso e dispendioso, dificilmente enquadráveis em curricula académicos e em recursos financeiros pessoais.


Sofre também o conhecimento de certas épocas históricas, com destaque para a Antiguidade Romana, virtualmente desconhecida a nível regional, ideologicamente fora de moda, sufocada pelo empirismo arqueológico de índole tecnicista e, last but not least, não rendível em termos políticos e económicos ou que entra em conflito
mais frequentemente com grandes projectos imobiliários.


A nível local, as Câmaras Municipais monopolizam hoje, de modo virtualmente total, os meios financeiros e os interesses editoriais, dirigidos e limitados aos seus estritos territórios concelhios. Se é de louvar o enorme aumento dos estudos locais patrocinado pelos municípios, tratam-se infelizmente de iniciativas esporádicas e de âmbito local, de valor científico muito desigual e dificilmente integráveis em quadros de referência regionais.


Nos melhores casos – que constituem uma pequena minoria - são resultantes de ocasionais provas académicas sobre temas concelhios, que as Câmaras se limitam a publicar e a usufruir do prestígio daí decorrente, sem ter de investir um cêntimo na sua investigação. Estes estudos reflectem maioritariamente a tendência actual da investigação universitária para a história contemporânea e para temas de história de arte.


Na maioria dos casos, porém, as predilecções sociopolíticos locais, voltadas para temas de nostalgia quase contemporânea e para a rentabilização turística imediata, favorecem os estudos de teor limitado, geralmente baseados em concepções estreitas de património cultural que se consubstanciam: ou na ressuscitação do "tradicional" e roteirização do "visitável"; ou no arqueologismo tecnicista que ombreia com o didactismo histórico mais pueril e superficial.


O indispensável papel dos promotores regionais


Paralelamente à esfera municipal, as raras grandes empresas e instituições públicas e privadas da Região – em que incluo o Turismo do Algarve - participam muito pouco na cultura do conhecimento e raramente arriscam fora dos domínios do prestígio luxuoso; do patrimonialismo turístico e, sobretudo, dos grandes eventos mediáticos.


Existe porém no Algarve um número de instituições regionais, que ocupam um lugar supra concelhio privilegiado e em cujo âmbito de actuação se concentra ou inclui a esfera cultural


É nomeadamente o caso da Direcção Regional da Cultura, mas também da C.C.D.R.-Algarve, da Associação de Municípios do Algarve e do Parque Natural da Ria Formosa.


Estas instituições estão numa posição única para promover uma multiplicidade de projectos de conhecimento histórico, tanto nas áreas de investigação como nas de publicação e divulgação.


Incentivos a projectos de conhecimento histórico-geográfico


Refiro-me a projectos de pequenas dimensões, centrados em objectivos específicos, a desenvolver em prazos limitados e com baixos custos financeiros, produzidos por investigadores individuais, parcerias pessoais ou associações de investigação.


As opções são numerosas, considerando a título de exemplo:

  • Aquisição e cedência de fundos e recursos documentais digitais, existentes em organismos públicos e bibliotecas.
  • Disponibilização de recursos editoriais electrónicos internacionais especializados.
  • Promoção de repositórios electrónicos em sites da Internet especializados. Digitalização e tradução de obras para publicação digital.
  • Encomenda de obras originais sobre temas específicos e respectiva publicação, com destaque para os temas de história regional.
  • Publicação convencional de trabalhos realizados ou em vias de conclusão, nomeadamente de fontes historiográficas, documentos cartográficos, catálogos especializados e de obras de síntese.
  • Promoção de programas de conteúdos históricos de qualidade para centros interpretativos ou monumentos já existentes.
  • Organização de uma revista regional e de uma estrutura regional de publicações e conferências dedicadas a temas histórico-geográficos com uma base periódica regular.
Numa perspectiva de dirigir incentivos específicos à produção de conhecimento, evitando dinâmicas de captação de fundos para outras finalidades (independentemente da sua legitimidade e interesse) dever-se-iam privilegiar, no meu entender, os agentes com currículo de trabalhos realizados e com projectos já em fases de concepção avançada, em execução ou prontos a publicar.

Thursday, November 26, 2009

História religiosa do Algarve

Esboço das grandes fases da história religiosa do Algarve

Alterações de paradigma religioso: mudança de religião dominante; de equilíbrio sociopolítico de religiões; de doutrina e estratégia de proselitismo; de alteração do poder político do clero; ou de relevância social do fenómeno religioso.

Elementos político-militares e religiosos com incidência na história territorial da região, isto é, nos registos literário, arqueológico, toponímico e etnográfico e na corografia regional da igreja católica.

As datas são aproximadas.

Época

Duração

Alguns aspectos fundamentais

1

c.800AEC-c.500AEC

300

Cultos indígenas do Bronze Final.

Cultos coloniais fenícios.

2

c.500AEC-c.200AEC

300

Cultos indígenas da 2ª Idade do Ferro.

Interpretações helenísticos de cultos indígenas e de santuários coloniais fenício-púnicos.

3

c.200AEC-c.30EC

230

Início do domínio romano: de 200AEC a 170AEC.

Destruição/abandono dos santuários político-militares indígenas entre 200AEC e 100AEC.
Cultos urbanos romanos de colonização, a partir de 23AEC (ou anterior?).
Registo epigráfico latino local de divindades e santuários indígenas desde c.70AEC.

4

c.30-c.330

300

Romanização de cultos indígenas no contexto da municipalização, hierarquização provincial e diversificação funcional dos sítios rurais.
Cultos mediterrânicos em contexto romano.
Santuários tetrárquicos a partir de 296.

5

c.330-c.395

65

Dualidade entre cristianismo e paganismo.

1º bispo de Ossonoba: Vincentius (306?-314?)
Templos pagãos nas villae de Milreu e Marim (c. 350-365).
Vettius Agorius Praetextatus
, restaurador do paganismo, governador da província da Lusitânia em 360.
Ithacius
bispo de Ossonoba (380-5), interveniente na querela contra Priscillianus.

6

c.395-séc.VI

205

Cristianização de centros urbanos e similares e de sítios rurais senhoriais.

7

Séc.VII-c.714

114

Consolidação do domínio visigodo a partir de c.624.

Início do fim do paganismo rural.

Destruição dos grandes santuários rurais e sua cristianização.

8

c.714-c.850

136

Fim do paganismo rural.

Sincretismos moçárabes.

Novos cultos hagiológicos e toponimização cristã dos santuários e povoados.

9

c.850-c.1120

270

Coexistência regulamentada das três religiões do livro.

Sincretismos sufistas. Santuários mistos, como o da "Igreja do Corvo".

Islamização das elites locais moçárabes (muladies) e sua ascensão política no séc. XI.

10

c.1120-c.1250

130

Repressão dos moçárabes e fim dos santuários mistos.

Guerra endémica.

Islamização forçada da maioria das comunidades rurais moçárabes remanescentes.

Emigração e despovoamento de zonas rurais fronteiriças.

11

c.1250-c.1400

150

Colonização portuguesa dos centros urbanos e zonas limítrofes.

12

c.1400-c.1500

100

Colonização rural portuguesa.

13

c.1500-1755

255

Expulsão dos judeus e mouriscos em 1497.
Visitação da Ordem de Santiago em 1517/8.
Fundação da Inquisição em Portugal em 1536.
Contra-Reforma. Ortodoxia tridentina após 1563.
Culto de S. Sebastião a partir da 2ª metade séc. XVI.
Culto da Senhora da Conceição após 1646 e de outros cultos marianos ortodoxos após 1500.
Apogeu da influência social do cristianismo

14

1755-1816

61

Reorganização dos cultos no pós-terramoto de 1755. Expulsão dos Jesuítas em 1759.

Acção edilícia do Bispo Gomes de Avelar (1789-1816).

Fase final da influência social do cristianismo.

15

1816-c.1850

34

Revolução liberal. Extinção da Inquisição em 1821 e das ordens religiosas em 1834.

Guerra civil e Guerrilha miguelista no Algarve: 1828-1840.

Descontinuidades de povoamento serrano e de cultos rurais.

16

c.1850-c.1950

100

Época tradicional algarvia, limite da identidade colectiva regional.

Imigração litoral.

Repovoamento da Serra e colonização alentejana das zonas serranas e rurais.

Novas festividades populares rurais e marítimas, nos sítios mais povoados e economicamente mais vigorosos.

Culto da Senhora de Fátima a partir de 1925.

17

c.1950-Actualidade

59

Fim do carácter religioso das festividades populares.

Fim do cristianismo como fenómeno religioso de massas.

Recriação autárquica/turística de cultos "tradicionais" a partir de 1980.

Wednesday, November 11, 2009

Carta Agrícola e Corográfica



A
Carta Agrícola e Corográfica
, dita de Gerardo Pery, seu organizador, constitui um documento geográfico insubstituível na reconstituição do território pré-industrial do nosso país, nomeadamente na região do Alentejo, onde se localizam a maioria das cartas publicadas.
O momento do seu levantamento (última década do século XIX) corresponde a um período de relativa divisão da propriedade alentejana, em que, aos compradores dos morgadios extintos e dos bens de mão morta, se juntam grandes quantidades de enfiteutas e proprietários, lavradores independentes.
O resultado traduz-se cartograficamente por uma riquíssima divisão fundiária e, sobretudo, por uma numerosa toponímia de courelas e herdades. Grande parte desta toponímia desaparece ou transforma-se durante os cinquenta anos seguintes graças a uma progressiva concentração da propriedade. A sua presença permitirá identificar numerosos locais de origem romana-moçarabe, islâmica-árabe e próprios dos diferentes períodos da ocupação portuguesa. Fornecerá igualmente importantes informações sobre a ocupação coeva do território e os seus sistemas sociais, económicos e culturais.
Trata-se dum período anterior à grande extensão da cultura cerealífera, que teve o seu apogeu na primeira metade do século XX. Como consequência, representam-se ainda as manchas culturais anteriores a esta monocultura, susceptíveis de permitir uma reconstituição da ocupação do solo dos séculos imediatamente anteriores. São sobretudo relevantes as áreas de incultos, matos, pastagens naturais e pousios e de essências florestais. Por outro lado, o carácter da ocupação do solo perto dos assentamentos populacionais fornecerá importantes elementos para o conhecimento do povoamento e dos sistemas agrícolas.
Mais importante ainda, a rede viária representada é ainda fundamentalmente a herdada do período medieval e mesmo anterior, com excepção de zonas bem caracterizadas. Nem os caminhos e estradas da mecanização e da cerealicultura foram ainda abertos nem as próprias do trânsito automóvel, todas elas características da primeira metade e, por vezes, do início da segunda metade do século XX. São especificamente valiosos os cruzamentos, passagens fluviais e portelas, que representarão muitas vezes pontos notáveis de eixos viários muito anteriores. Os percursos rectilíneos - garantidamente antigos porque anteriores ás rectificações próprias da motorização - poderão também ajudar à identificação de traçados do período romano.
Para além da sua importância histórica, arqueológica, geográfica, económica, agronómica e antropológica, a carta é constituída por folhas de grande valor estético e técnico, que serão indiscutivelmente do agrado dos amantes e profissionais da cartografia.
A Carta Agrícola e Corográfica de Gerardo Pery tem permanecido desconhecida e sobretudo inacessível a gerações de investigadores do território e ao público culto e interessado.
À indisponibilidade associa-se a sua pouca maleabilidade. Tratando-se de documentos relativamente raros e frágeis, não é possível manipulá-los directamente e é dispendioso e difícil reproduzi-los eficazmente. A junção de folhas para visões de conjunto torna-se assim praticamente impossível, para além de serem raros os locais que possuem ou disponibilizem a sua colecção completa.
Trata-se porém de um documento histórico essencial, que faz parte do património do país e, sobretudo, das privilegiadas zonas que tiveram a sorte de ter sido contempladas com uma folha publicada. É sobretudo o caso da Região do Alentejo (com 34 folhas) e, em muito menor grau, do Alto Douro (4 folhas), do Algarve (2 folhas parciais) e a Beira Litoral (1 folha).

Ficha técnica

Título

Carta agrícola de Portugal na escala de 1:50.0000 e outras.
Também designada por Carta Agrícola e Corográfica de Portugal

Editor

Direcção geral de Agricultura.

Data de publicação

Entre 1890 e 1908

Apresentação original

Folhas com 40 x 50 cm, a cores.
As cartas na escala 1:50.000 representam uma superfície de 20 km de largura por 25 km de altura.
As cartas na escala 1:25.000 representam uma superfície de 10 km de largura por 12.5 km de altura.
A qualidade do papel e, sobretudo das cores, varia muito conforme as folhas.

Conteúdo corográfico

Curvas de nível com equidistância de 25 metros e pontos cotados
Marcos topográficos de 1ª e 2ª ordem
Toponímia corográfica e fundiária
Fisiografia
  • Rochedos e escarpas
  • Areais
  • Lodos
  • Marinhas de sal
Hidrografia
  • Rios, ribeiras e linhas de água
  • Lagoas
  • Canais e levadas
  • Aquedutos
Recursos hídricos
  • Fontes e nascentes
  • Águas minerais
  • Estabelecimentos termais
Transportes e comunicações
  • Pontes de pedra ou de ferro
  • Pontes de madeira para carros
  • Pontes para cavalgaduras
  • Estradas construídas
  • Caminhos
  • Caminho de ferro
  • Faróis
Povoados
  • Cidades e vilas fortificadas
  • Cidades, vilas e aldeias
  • Casas isoladas
Estabelecimentos industriais
  • Azenhas
  • Moinhos de vento
  • Fornos de cal
  • Mina em exploração
Igrejas
  • Sedes de freguesia em povoação
  • Sedes de freguesia isoladas
  • Capelas e ermidas
Estabelecimentos militares
  • Redutos e torres
  • Castelos e fortes
  • Entrincheiramentos
  • Muralhas e muros
Divisão administrativa
  • País
  • Distrito
  • Concelho
  • Freguesia
Limites de propriedades
Limites e zonas de culturas
Culturas arvenses
Culturas hortícolas
Culturas industriais
Hortas e pomares
Arrozais
Vinhas
Vinha com olival
Vinha com pomar
Pomares de sequeiro
  • Olivais
  • Olivais novos, sem produção
  • Figueiras
  • Alfarrobeiras
  • Amendoeiras
  • Arvoredo frutífero diverso
  • Alfarrobeiras com oliveiras
  • Figueiras com amendoeiras
Montado
  • Chaparral
  • Azinho
  • Azinho com sobro
  • Sobro
  • Azinho com olival
  • Azinho com sobro e olival
Essências florestais
  • Carvalhais
  • Soutos de castanheiros
  • Pinhais
  • Matas de diversas essências
Pastagens
  • Prados artificiais
  • Prados naturais
  • Pastagens naturais em pousios
Incultos
  • Charnecas e matos
  • Terrenos improdutivos

Folhas publicadas conhecidas

Na escala 1:50.000
159 Setúbal
160 Cabrela, Vendas Novas
161 Montemor-oNovo
163 Évora
164 Redondo
167 Cabo Espichel
168 Sesimbra
169 Estuário do Sado (Comporta)
170 Alcácer do Sal
171 Torrão
172 Alcáçovas,(Viana do Alentejo
173 Oriola
176 Granja (Mourão)
177 Melides
178 Grândola
179 São Mamede
180 Ferreira do Alentejo
181 Cuba
182 Marmelar, Brinches
183 Moura
184 * Amareleja
185 * Barrancos
186 Sines
187 São Domingos, São Bartolomeu
188 Alvalade
189 Aljustrel
190 Beja
191 Serpa, Baleizão
192 Aldeia Nova de São Bento, Pias
193 Vila Verde de Ficalho
194 Vila Nova de Mil Fontes
196 Garvão
201 São Teotónio, Odeceixe
206 Vaqueiros, Martinlongo
* Ainda não disponível na presente colecção
Na escala 1:20.000
39-50 * Mesão Frio
Por a folha não estar disponível e ser o único exemplar publicado nesta escala, desconhecem-se as sua dimensões e localização.
* Ainda disponível na presente colecção
Na escala 1:25.000
40 D Pinhão
51 A Adorigo, Armamar
51 B Ervedosa, Tabuaço
52 A São João da Pesqueira
84 C Alfarelos, Granja (Montemor-o-Velho)
Sem escala
Folha de legenda

Mapa de Junção das Folhas

Localização das folhas publicadas
As folhas a cinzento não estão ainda disponíveis. A folha 39-50 não está representada.

Bibliografia
A utilização do solo, das cartas de G.Pery (fins do século XIX) a meados do século XX
Mariano Feio
in A evolução da agricultura do Alentejo meridional, pp. 9 a 70.
Edições Colibri, Lisboa, 1998
Bibliografia geográfica de Portugal
Hermann Lautensach
Adaptação e complementos de Mariano Feio
Instituto para a Alta Cultura, Centro de Estudos geográficos, Lisboa, 1948
Pág. 23
Boletim da Direcção Geral de Agricultura, VI, nº 13
Lisboa, 1894
Le Portugal Méditerranéen à la fin de l'Ancien Régime
Albert Silbert
Instituto Nacional de Investigação Científica, Lisboa, 1978
A evolução agrária no Portugal Mediterrâneo
Orlando Ribeiro
Centro de Estudos Geográficos, Lisboa, 1970
O espaço medieval da Reconquista no Sudoeste da Península Ibérica
João Carlos Garcia
Centro de Estudos Geográficos, Lisboa, 1986
Através dos campos. Usos e costumes agrícolo-alentejanos (concelho de Elvas)
José da Silva Picão
Elvas, 1903
Materiais para a história da questão agrária em Portugal - Séc. XIX e XX
Selecção, prefácio e notas de Manuel Villaverde Cabral
Inova, Porto, 1974
Estatística agrícola no Districto de Beja
Parte I - Concelho de Beja, 1883
Parte II - Concelho de Cuba, 1883
Parte III - Concelho de Alvito, 1885
Parte IV - Concelho de Vidigueira, 1885
Gerardo Augusto Pery
Imprensa Nacional, Lisboa
Le Portugal Inconnu I: Paysans, Marins et Mineurs
Léon Poinsard
La Science Sociale Nº 67-68, Bureaux de la Science Sociale, Paris, 1910

Versão Digital

Resolução 300 dpi
Cor 24 bits
Folhas clarificadas para permitir a leitura da toponímia sobre manchas mais escuras
Orto-rectificação gráfica: ajustamento do ângulo de digitalização (rotação inferior a 0.01graus) e da distorção do papel (flecha na maior aresta inferior a 1 mm)
Geo-referenciação sobre a carta militar 1:25.000 em coordenadas Hayford-Gauss referentes ao centro geográfico de Portugal Continental (erro médio inferior a 1 mm nos três quartos centrais das folhas, equivalente a 50 m no terreno).
Dimensão normalizada das folhas: 3152 x 3940 pixels
Formato gráfico: GEO-TIFF não comprimido com World File associado.
Folha de legenda com cores e sinais convencionais
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